quinta-feira, 8 de agosto de 2013

3º Bimestre

Situação de aprendizagem 1- Matrizes culturais do Brasil
Formação étnica brasileira
Participam da formação do povo brasileiro pessoas da raça branca, vindas da Europa; da raça negra, trazidas da África; e da raça amarela, os indígenas nascidos no Brasil. A miscigenação é intensa desde o início da colonização. O pequeno número de mulheres brancas entre os colonizadores portugueses os leva a se relacionar com índias ou escravas negras, muitas vezes à força. Essa miscigenação dá origem a outros tipos raciais como o mulato, originado da miscigenação do branco com o negro; o caboclo ou mameluco, originado da miscigenação do branco com amarelo; o cafuzo, originado da miscigenação do negro com amarelo.
 Sobre essa base juntaram-se, além dos portugueses, que desde a colonização continuaram entrando livre e regularmente no Brasil, vários outros povos (imigrantes), ampliando e diversificando ainda mais a formação étnica da população brasileira. Os principais grupos de imigrantes que entraram no Brasil após a independência (1822) foram os seguintes:
atlanto-mediterrâneos (italianos e espanhóis)
germanos (alemães)
eslavos (poloneses e ucranianos) e asiáticos (japoneses).
A população brasileira é, assim, caracterizada por grande diversidade étnica e intensa miscigenação.
As regiões geográficas brasileiras apresentam diferenças na distribuição da população, segundo a cor ou a raça. Historicamente, os diferentes processos de povoamento e ocupação das regiões brasileiras explicam a desigual distribuição das etnias. Encontramos maior concentração de pardos na região Norte em razão da mestiçagem entre os primeiros habitantes (indígenas), o colonizador europeu branco (português) e a mão-de-obra nordestina. Os negros concentram-se no Sudeste e no Nordeste, respectivamente, pelo fato de a escravidão ter sido mais intensa nessas regiões. A maior concentração de brancos na região Sul é explicada, entre outros fatores, pela necessidade que Portugal tinha de ocupar todo o território brasileiro para garantir sua posse efetiva e pela não utilização da mão-de-obra escrava nas atividades econômicas da região. A imigração de europeus para o Sul, principalmente a partir do século XIX, também contribuiu para o branqueamento da população.
O índio
São considerados de origem asiática mas o modo e a época em que teriam chegado à América não são conhecidos. Em 1500 estima-se que há de 1 a 3 milhões de indígenas no Brasil. Com o início da colonização eles são capturados e utilizados como mão-de-obra escrava, mas seu conhecimento do território facilita as fugas. Seu aprisionamento é formalmente proibido em 1570 mas a dizimação continua.
A população indígena, segundo dados da Funai, distribui-se em praticamente todo o território brasileiro, distribuídos em 128 reservas.
As poucas áreas indígenas encontram-se sob constantes ameaças; o Estado é o principal agente das invasões em conseqüência da construção de estradas, usinas hidrelétricas e linhas de transmissão.
As obras de construção e o fluxo de transporte facilitam a sua invasão. Além disso, a construção de usinas agrava esse problema.
Essas obras de infra-estrutura atraem grande número de garimpeiros, madeireiros e trabalhadores desempregados; epidemias de gripes e outras "doenças de brancos" arrasam os nativos.

 Os 2 milhões de que habitavam o atual território brasileiro no início do século XVI estão reduzidos hoje a apenas 250.000.
A política indigenista do Brasil está a cargo da Funai (Fundação Nacional do Índio), órgão estatal subordinado ao ministério do interior e responsável pela aplicação da legislação contida no estatuto do Índio.

O branco
O elemento branco que participou da formação do povo brasileiro vem de diferentes grupos, principalmente os de origem européia. Durante a época colonial vieram os portugueses, mas não foram os únicos, vieram para cá inúmeros espanhóis, de 1.630 a 1.654, durante a ocupação holandesa no Nordeste, vieram holandeses que acabaram ficando mesmo depois dos portugueses retomarem a área, nos séculos XVI e XVII, aportaram franceses, ingleses e até italianos. Mas o que cresceu mais durante esse período (de 1.500 até 1.822), foram mesmo os portugueses.
Os portugueses foram o grupo mais numeroso na formação do povo brasileiro branco.
Depois dos portugueses o segundo grupo branco mais numeroso foi o grupo dos italianos. Eles vieram principalmente para São Paulo, mas também são encontrados em grande numero, no Rio Grande do Sul (Bento Gonçalves, Garibaldi, Caxias do Sul), Santa Catarina (Nova Trento, Nova Veneza), Paraná e Rio de Janeiro.
Os Espanhóis foram o terceiro maior grupo na formação do povo brasileiro branco, eles se fixaram principalmente em São Paulo e em pequena proporção, do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Outros grupos de brancos de origem européia que se destacaram na formação do povo brasileiro foram: os Alemães que se encontram principalmente em Santa Catarina (Blumenau, Joinville) e no Rio Grande do Sul (São Leopoldo, Novo Honburgo) embora se encontrem também em São Paulo, no Paraná e no Espírito Santo; os eslavos (poloneses e ucranianos, principalmente), que se  fixaram notadamente no Paraná (Curitiba, Ponta Grossa) e os holandeses, foi grupo menor de todos mas se destacaram pela atividade agrícola em alguns municípios se São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.   
Dentre os indivíduos de cor branca, predominam os de origem européia, destacando-se os seguintes grupos:
·                 Atlânto-mediterrâneos: é o grupo mais numeroso e representa cerca de 75% do total de imigrantes que entravam no Brasil. É formado, principalmente, por portugueses, italianos e espanhóis.
·                 Germanos ou teutões: grupo representado por alemães (os mais numerosos), austríacos holandeses, suíços e outros.
·                 Eslavos: grupo representado por poloneses (os mais numerosos), ucranianos, russos e outros.
          Além dos europeus, o Brasil recebeu indivíduos brancos de outras partes do mundo: Ásia (turcos, árabes, judeus, libaneses, sírios etc.), América do Norte, América do Sul etc.
As regiões brasileiras que apresentam os maiores percentuais de indivíduos de cor branca são as regiões Sul (cerca de 80%) e Sudeste (cerca de 65%).

O negro

A migração forçada dos negros africanos ocorreu de 1532, com o início do processo de colonização até 1850 quando foi abolido o tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queiroz).
Utilizado como mão-de-obra de baixo custo, o negro representou importante força de trabalho na agricultura (algodão, cana, café, mineração e outras atividades).
O negro brasileiro é descendente de dois grandes grupos africanos: os bantos e os sudaneses.
A vinda forçada dos negros para o Brasil é explicada pelos lucros decorrentes do seu tráfico e pela necessidade de se explorar a sua força de trabalho na nascente economia canavieira.
Por vários séculos, desde o ciclo da cana-de-açúcar (séculos XVI e XVII) até o ciclo do café (séculos XIX e XX), o negro foi o braço sustentador da economia brasileira, estando presente em todas as atividades econômicas fundamentais do país:
A discriminação não é apenas uma questão de cor. É, também, uma questão de qualidade de vida.
O negro quando nasce tem 30% a mais de chances que o branco de morrer antes de completar 5 anos de idade. Quando cresce, tem o dobro de chances (de um branco) de sair da escola sem aprender a ler nem escrever.
Decorridos mais de cem anos desde a Abolição, e quase quinhentos anos desde a chegada do negro, o que se verifica de fato, hoje, no Brasil é a existência de duas cidadanias: a branca e a negra.
Essa é a dura realidade que nem mesma a tão propalada ideologia da "democracia racial" conseguiu esconder. Essa ideologia admite existir convivência harmoniosa entre brancos e não-brancos no Brasil.
Grupos africanos negros são trazidos como escravos, a partir de 1538, para trabalhar na cultura da cana-de-açúcar. Os principais grupos trazidos para o Brasil são o sudanês e o bantu. O número exato de escravos vindos para o Brasil não é conhecido; as estimativas variam de 3 a 13,5 milhões. Os africanos enfrentam péssimas condições de trabalho e os castigos aplicados por senhores e feitores provocam muitas vezes a morte ou mutilações. A escravidão não é aceita passivamente. Os escravos fogem, matam seus senhores, suicidam-se e organizam revoltas e levantes.

Etnias no Brasil (cor ou raça) Fonte: Censo IBGE 2010
Pardos: 43,1%
Brancos: 47,7%
Negros: 7,6%
Indígenas: 0,4%
Amarelos: 1,1%
PRECONCEITO
Excluídos do processo de desenvolvimento econômico e social do país, os negros formam atualmente, ao lado de grande parte de outras camadas não-brancas (mulatos, índios etc.) um enorme contingente de brasileiros marginalizados.
A ideologia do branqueamento, imposta pelo europeu, apregoando a superioridade do branco ("quanto mais branco, melhor") fez com que muitos indivíduos de ascendência negra passassem por brancos nos recenseamentos, a fim de obter maior aceitação social.
A ideologia do branqueamento nada mais é que um modelo discriminatório, de natureza racista, criado pelas elites dominantes para marginalizar os negros, impedindo-os de obter ascensão social, econômica e cultural. O branqueamento teve importância decisiva no processo de descaracterização (enquanto raça) e no esvaziamento da consciência étnica dos negros.
A influência da cultura africana se manifesta na alimentação, em pratos como vatapá, acarajé e cocada. Na música, em instrumentos como tambores, atabaque, cuíca, berimbau e em ritmos como o lundu e o samba. Nas danças, com o maracatu e o quilombo. Na mineração, com a introdução da bateia. Na religiosidade, com o candomblé.
Imigração
O número de imigrantes no Brasil sempre foi maior do que o número de emigrantes. A imigração começa oficialmente quando dom João VI promulga a lei que permite a posse de terras por estrangeiros, em novembro de 1808. O objetivo da lei é facilitar a ocupação do sul que despertava interesse dos castelhanos. Há interesse também em “branquear” a pele da população, na época majoritariamente negra.
          A presença dos imigrantes provoca mudanças na vida do país. Eles introduzem novos produtos e técnicas de cultivo, a noção de pequena propriedade, a economia de subsistência e as pequenas indústrias domésticas (têxtil, alimentícia, de couro e de cerâmica).



- Os portugueses - representam o maior contingente de imigrantes entrados no Brasil. Calcula-se que devam viver atualmente, no país, 213.203 portugueses, concentrados nos grandes centros urbanos, com destaque especial para o Rio de Janeiro e São Paulo.
- Italianos - Os primeiros italianos chegaram ao Brasil em 1875, estabelecendo-se no Rio Grande do Sul, na região serrana e também em Santa Catarina, onde o clima era mais ameno, assemelhando-se um pouco com as regiões de onde vieram. Logo após essa época, São Paulo tornou-se o maior pólo receptor de italianos, que inicialmente se encaminharam para as zonas cafeicultoras do interior. Em pouco tempo, entretanto, acabaram por migrar para a capital, vindo a se constituir em importante mão-de-obra para a indústria que então se iniciava. Os italianos deixaram suas marcas em cidades e bairros, influenciando hábitos alimentares e lingüísticos das regiões onde se estabeleceram.
- alemães: As primeiras levas de imigrantes alemães chegaram em 1824 e, desde então, deram preferência à região Sul do Brasil, onde fundaram a colônia de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. A partir de 1850, foram se instalando em Santa Catarina, sobretudo no vale do Itajaí, onde surgiram Brusque, Joinville e Blumenau, cidades de marcantes características alemãs.
- espanhóis: é o terceiro maior contingente imigratório do Brasil. Fixando-se principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, iniciaram suas atividades em fazendas, mas acabaram por migrar para as cidades.
- japoneses: A imigração japonesa teve início em 1908, quando aportou no Brasil o navio Kasato Maru, com 165 famílias a bordo. Estabeleceram-se inicialmente no estado de São Paulo e depois no Pará, onde se desenvolve importante núcleo produtor de pimenta-do-reino (Tomé-Açu). Fixaram-se principalmente em colônias rurais, onde introduziram importantes inovações na indústria de hortifrutigranjeiros. Na cidade de São Paulo, foram se concentrando num bairro — a Liberdade. Além disso, são responsáveis pela maior parte do estabelecimento de frutas, legumes, verduras, aves e ovos para a população da metrópole paulista.
Atualmente, estima-se em mais de 1 milhão e 200 mil os japoneses e seus descendentes até a quarta geração vivendo no Brasil.
- poloneses e ucranianos, que se fixaram, em sua maioria, no Paraná, dedicando-se à agricultura e pecuária.
- Os sírio-libaneses (árabes) distribuem-se por todo o território nacional, dedicando-se a atividades predominantemente urbanas, como o comércio e a indústria. Vieram mais precisamente em 2006, devido à segunda guerra do Líbano.
- Os judeus, sobretudo de origem alemã e eslava, vieram para o Brasil principalmente às vésperas e durante a Segunda Guerra Mundial dirigindo-se para o Sul e o Sudeste. Passaram a dedicar-se a atividades urbanas (especialmente comércio e indústria).
- sul americanos: durante os anos 70, um expressivo número de principalmente paraguaios, bolivianos, uruguaios, argentinos e chilenos.
- Asiáticos: nos anos 80, o fluxo maior passou a ser de coreanos e chineses, mas, como os latino-americanos, vivem em boa parte clandestinamente, uma vez que sua presença é impossibilitada por leis que estabelecem cotas máximas de imigrantes por nacionalidade.
As diversas crises sócio-econômicas do país têm levado parcelas da população a procurarem saídas no exterior, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. A melhoria econômica recente no Brasil com a moeda forte, aliada a outros fatores como a xenofobia crescente em diversos países, contribuem para um processo de retorno de levas de emigrados brasileiros (especialmente dos Estados Unidos, que passam por uma crise econômica) e a redução do fluxo emigratório observado até 2003.