terça-feira, 7 de maio de 2013

2º BIMESTRE

Situação de aprendizagem 1

A INDUSTRIALIZAÇÃO E SUAS CARACTERÍSTICAS

Denomina-se industrialização ao processo de criação de uma quantidade cada vez maior de indústrias, que acabam por constituir o setor mais importante da economia.  Não se considera como industrialização uma simples criação de indústrias isoladas, mas sim um processo irreversível (sem retorno) de criação de industrias, no qual  há urbanização e domínio da cidade sobre o campo.
Podemos afirmar que industrialização é um momento do desenvolvimento do capitalismo, baseada na relação de trabalho assalariada.  Seu resultado é o capitalismo industrial.

Classificação

O setor industrial de transformação pode ser classificado quanto ao tipo de indústria. Assim, podemos falar em:

As indústrias de bens de produção, também chamadas de indústrias de base ou pesadas, são responsáveis pela transformação de matérias-primas brutas em matérias-primas processadas, sendo a base para outros ramos industriais. As indústrias de bens de produção são divididas em duas vertentes: as extrativas e as de bens de capital.

Indústrias extrativas – são as que extraem matéria-prima da natureza (vegetal, animal ou mineral) sem que ocorra alteração significativa nas suas propriedades elementares. Exemplos: indústria madeireira, produção mineral, extração de petróleo e carvão mineral.

Indústrias de equipamentos – são responsáveis pela transformação de bens naturais ou semimanufaturados para a estruturação das indústrias de bens intermediários e de bens de consumo. Exemplos: siderurgia, petroquímica, etc.

As indústrias de bens intermediários caracterizam-se pelo fornecimento de produtos beneficiados. Elas produzem máquinas e equipamentos que serão utilizados nos diversos segmentos das indústrias de bens de consumo. Exemplos: mecânica (máquinas industriais, tratores, motores automotivos, etc.); autopeças (rodas, pneus, etc.)

As indústrias de bens de consumo têm sua produção direcionada diretamente para o mercado consumidor, ou seja, para a população em geral. Também ocorre a divisão desse tipo de indústria conforme sua atuação no mercado, elas são ramificadas em indústrias de bens duráveis e de bens não duráveis.

Indústrias de bens duráveis – são as que fabricam mercadorias não perecíveis. São exemplos desse tipo de indústria: automobilística, móveis comerciais, material elétrico, eletroeletrônicos, etc.

Indústrias de bens não duráveis – produzem mercadorias de primeira necessidade e de consumo generalizado, ou seja, produtos perecíveis. Exemplos: indústria alimentícia, têxtil, de vestuário, remédios, cosméticos, etc

Localização das indústrias

A concentração das indústrias em determinados lugares depende de certos fatores que passamos a analisar abaixo:
- proximidade de matérias-primas –é mais importante no caso de setores industriais que lidam com grandes volumes de matéria-prima, como o setor pesado. A siderurgia, por exemplo, necessita de grandes quantidades de ferro e manganês. Essa  proximidade reduz o custo com o transporte e garante maior eficiência na continuidade das atividades desenvolvidas pela empresa.
 - oferta de energia –um dos insumos mais importantes para o setor industrial é a energia. Determinados setores consomem muita energia, como a indústria de base. A siderurgia requer o uso do carvão mineral, a indústria que produz alumínio requer muita energia elétrica. A não interrupção do fornecimento da energia é um fator essencial para a sobrevivência dessas empresas e, em alguns casos, o custo final de seus produtos é fortemente influenciado pelo custo da energia.
- mão-de-obra disponível –isso explica o porque das indústrias concentrarem-se em areas urbanas onde podem contar com essa oferta de mão-de-obra. Evidentemente, alguns setores requerem mão-de-obra mais qualificada e procuram cidades onde existam centros universitários e de pesquisa.
- mercado consumidor – no caso das indústrias de bens de consumo, a proximidade do mercado consumidor reduz o custo final do produto no varejo pelo menor custo do transporte até os pontos de venda. Grandes concentrações urbanas atraem mais indústrias que, assim, podem ficar próximas de um grande mercado consumidor.

- boa rede de transportes –essencial para garantir a circulação das matérias-primas, da energia e do produto acabado. A saturação dos transportes em algumas áreas urbanas tem afugentado algumas empresas desses locais.

Além desses fatores é claro que precisamos lembrar de políticas de fomento ao desenvolvimento industrial incluindo isenções de impostos e facilidades para exportação. Assim como é importante também entender que o elevado custo da mão-de-obra, movimento sindical forte e problemas como enchentes, espaço físico disponível (para uma eventual expansão) e falta de segurança motivam indústrias a procurarem novos locais para sua instalação.

A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA

Só se pode falar em industrialização no Brasil a partir do final do século XIX, período em que foi abolida a escravidão no país e o trabalhador começou a receber salário pelo seu trabalho.
Outro fator importante para o surto da industrialização no Brasil, foi a imigração.  Os imigrantes foram os primeiros trabalhadores assalariados do Brasil, os primeiros operários das indústrias e aumentaram o mercado consumidor do país, pois já tinham o hábito de adquirir bens manufaturados nos seus países de origem.
Como a industrialização brasileira foi tardia ou retardatária, as maquinas utilizadas e a tecnologia foram importadas daqueles países que já a desenvolviam a mais de um século, principalmente na Inglaterra.
A atividade fabril começou não com máquinas a vapor e antiquadas, mas com maquinas já movidas a eletricidade ou a combustão.  E os estabelecimentos industriais já surgiram grandes para a época.  Neles trabalhavam dezenas ou centenas de operários.
Para importar essas máquinas era preciso uma fonte de divisa, um produto de exportação que gerasse rendas para serem aplicadas na atividade industrial.  Esse produto já existia desde o início do século XIX: era o café.  A lavoura cafeeira se desenvolvia principalmente em São Paulo. Foi a partir da lavoura cafeeira que se originaram os capitais inicialmente aplicados na indústria.
Mas para que os fazendeiros ou comerciantes de café resolvessem investir na indústria, deixando de aplicar seus capitais na expansão da lavoura cafeeira, era preciso algumas condições favoráveis.  Essas condições surgiram com as crises nas exportações do café e com  o crescimento de bens industrializados, que inicialmente eram importados da Europa.
Foi nos momentos de crise, tais como: a Primeira Guerra Mundial, a crise de 1929, e a Segunda Guerra Mundial que o processo de industrialização do Brasil teve seus períodos de maior impulso.  Nesses momentos  havia dificuldade para exportar café e também para importar os bens industrializados.  Tais fatos tornavam interessante e atraente investir capitais na indústria, principalmente na indústria de bens de consumo duráveis( como nas indústrias têxteis, de móveis, de vestuários, etc.) e não duráveis (como bebidas, alimentos e outras).
Podemos afirmar que a industrialização brasileira teve até o final da Segunda Guerra Mundial um caráter substitutivo, isto é, foi um processo de substituição de importações.  Começamos produzir bens que eram importados dos países desenvolvidos.  A partir da década de 50 esse processo de industrialização adquire um novo caráter:  as empresas norte-americanas, européias e japonesas começaram a se internacionalizar, tornando-se multinacionais e penetrando fortemente no Brasil.  O estado passa, então,  a associar-se ao capital estrangeiro ou ao privado nacional, além de criar um grande número de empresas públicas.
Nessa segunda metade do século XX, a industrialização do Brasil deixa de ser feita essencialmente com capitais privados nacionais, em razão da notável expansão das empresas estrangeiras e estatais.  E o surto industrial não se restringe mais a indústrias de bens de consumo, mas atinge também o setor de bens intermediários e até o de bens de capital, embora estes ainda hoje sejam relativamente fracos.


A Evolução Industrial no Brasil

O processo de industrialização Brasileira pode ser dividido cronologicamente em quatro fases importantes, observando-se as respectivas características em cada período.

1ª Fase (de 1500 a 1808)
Conhecida como a fase da proibição, até 1808 as atividades industriais no Brasil eram restritamente artesanais ou rudimentares, resultantes da proibição de Portugal quanto à implantação de atividades transformadoras.
Neste período, pequenas estruturas familiares, ou seja, pequenas indústrias domésticas foram sendo instaladas e apresentando um certo crescimento até a assinatura da Carta Régia (1785 ), que determinou a proibição da atividade industrial têxtil, além da desativação das já existentes, limitando e controlando as atividades industriais no país.

2ª Fase (1808 a 1930)
Após 1808, apesar da liberação da atividade industrial (até então impedida pela metrópole), o processo de industrialização não tomava impulso devido à falta de infra-estrutura interna e à concorrência dos produtos externos, que até 1844 eram beneficiadas com tarifas alfandegárias muito baixas (15%), concorrendo de forma desigual com nossos produtos, podendo ser importados em volume e qualidade a preços baixos.
Em 1844, as tarifas alfandegárias sofreram um aumento, cuja taxação mínima era de 30%, sendo elevadas progressivamente, contribuindo com nossa evolução industrial, resultantes principalmente da dificuldade de importações pela elevação constante dos preços dos produtos importados.
De 1844 a 1930, ocorreu o chamado surto industrial no país, decorrente de algumas medidas em nosso processo histórico:
1844 - Lei Alves Branco, amplia as taxas alfandegárias para, no mínimo, 30%;
1850 - Lei Eusébio de Queirós, proibição do tráfico de escravos;
1888 - Lei Áurea, abolindo a escravatura em todo o país.
Ocorre uma ampliação em nosso processo produtivo, impulsionado pela produção interna de matérias-primas, principalmente têxteis (algodão) e alimentícias. Com a introdução do café em São Paulo e a conseqüente chegada dos imigrantes, houve certa expansão do mercado interno consumidor, além da disponibilidade de capitais e melhores transportes. Começam a surgir alguns setores industriais de necessidade mais imediata e de menor custo como: alimentícios, tecidos, material de construção, etc.
No final do século XIX, o desenvolvimento industrial foi pequeno apesar das medidas protecionistas adotadas pelo governo para proteger a indústria nacional da concorrência externa. Somente a partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a atividade industrial apresentou uma certa expansão, pois, já que não podia contar com as importações européias, procurava desenvolver aqui setores industriais, para suprir as necessidades do mercado interno, substituindo os produtos importados.

3ª Fase (1931 a 1955)
Com a crise da Bolsa de Nova Iorque (1929), a Revolução de 1930 e a 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945), surge uma nova e importante fase no crescimento industrial do país, a chamada Revolução Industrial Brasileira.
A crise cafeeira provoca o êxodo rural no interior de São Paulo, além da chegada dos primeiros grupos de nordestinos a São Paulo e Rio de Janeiro, que começaram a formar uma base de trabalho industrial nacional. O processo histórico determinou a queda da oligarquia agroexportadora e a respectiva ascensão da burguesia urbana e industrial, principalmente pela transferência de capital agrário para as indústrias.
Esta fase marca, internamente, importante e decisiva posição governamental (Era Vargas) para a implantação de indústrias, sobretudo com investimentos na criação de pólos estatais na indústria de base, ampliando nossas atividades industriais, já que antes dominavam apenas as indústrias de bens de consumo não-duráveis.
Em 1942, com a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (Volta Redonda-RJ), inicia-se a produção de aço que abre novas perspectivas para a expansão industrial brasileira, complementada posteriormente pela criação da Companhia Vale do Rio Doce, iniciando a exploração de minérios para abastecer os parques siderúrgicos.
A década de 1950 ainda enfrenta problemas e obstáculos, com a falta de energia e deficiente rede de transportes e comunicações.

4ª Fase (a partir de 1956)
O Plano de Metas (1956 a 1960), implantado pelo governo Juscelino Kubitschek , inicia uma fase de estruturação e internacionalização dos setores industriais. Nesta fase, o governo optou pela indústria de bens de consumo duráveis, como a indústria automobilística e de eletrodomésticos, além de setores básicos, como siderurgia (COSIPA, USIMINAS) e energia elétrica através da criação de várias empresas (CEMIG-FURNAS), intensificando a criação de novos pólos industriais.
A década de 60 é representada por um período de crise e estagnação da atividade industrial, marcada por uma economia associada e dependente do capital externo, e o Estado com forte poder centralizador e controlador dos setores econômicos básicos, determinando o ritmo de nosso desenvolvimento.
A década de 70 caracteriza-se por uma diversificação da produção industrial e, conseqüentemente, das exportações que até hoje têm nos manufaturados o seu maior peso.
O Brasil, bem como a maior parte dos países industrializados recentemente, apresenta um grande peso da economia estatal. Durante as décadas de industrialização acelerada, ou seja, décadas de 40
O conceito moderno da economia e administração pública tornou este sistema obsoleto e o Estado, que já foi visto como base de apoio para a economia do país, passou a ser visto como um grande peso contrário ao nosso desenvolvimento, apresentando elevados custos para a manutenção de um sistema ineficiente, com inchaço de funcionários, resultante das manobras e interesses políticos. Inicia-se uma discussão política para o processo de privatizações, a procura de uma nova colocação no mundo, gerando uma série de posicionamentos a favor e contra a estruturação de uma nova fase na indústria nacional,com critérios até hoje contestados por movimentos sindicalistas e partidários. O principal impasse, amplamente contestado por movimentos (fundamentalmente sindicalistas), foi o critério das privatizações, pois muitas estatais foram vendidas para outras estatais ou fundo de pensões de funcionários de estatais e a entrada de "moedas podres" nos leilões eleva a preocupação sobre as reais condições das privatizações, sugerindo que nem tudo estava às claras nestas transações. No entanto, algumas das empresas já privatizadas começam a apresentar um desempenho compatível com as regras básicas do capitalismo moderno.
Programa Nacional de Privatização (outubro/91 - outubro/92)

No período de 1990 a 1992 ocorre uma recessão na produção industrial, condicionada a sucessivas mudanças na política econômica do país, mas que, através das indústrias de bens de consumo duráveis, determinou um crescimento industrial em 1993.
                   
               
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA INDÚSTRIA BRASILEIRA

A localização das indústrias no Brasil seguiu os padrões comuns a essas atividades em todo o mundo. Em um primeiro momento, houve uma marcante concentração das indústrias em determinada região para mais tarde acontecer exatamente o oposto: as empresas estão fugindo dos locais muito industrializados, em um processo que chamamos de dispersão industrial. Observe, no mapa da página seguinte, como estão distribuídas as indústrias no Brasil.


A CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL EM SÃO PAULO

Todos aqueles elementos indispensáveis para o processo de industrialização do Brasil (o café, o imigrante e o trabalho assalariado, o mercado consumidor, e os capitais disponíveis) estiveram concentrados no centro-sul do país, principalmente em São Paulo.
Além disso, a cidade de São Paulo foi fortemente beneficiada pela sua posição geográfica.  Localizada na porção oriental do Estado e próxima à serra do Mar, constituindo uma passagem obrigatória para se chegar até o porto de Santos (o mais importante), São Paulo cresceu bastante com o comércio de café.
Esse comércio criou no século XIX toda uma infra-estrutura de ferrovias necessárias ao escoamento da produção cafeeira até o porto de exportação, e todas elas passavam pela capital paulista.
No final do século passado e inícios deste, expandiram-se enormemente os serviços públicos dessa cidade: construíram-se um moderno sistema de água e esgotos, redes de iluminação, linhas de bondes e algumas usinas hidrelétricas nas vizinhanças.  Tudo isto foi importante para o surto industrial da capital paulista.
A atividade industrial aproveitou-se, portanto, de uma série de condições favoráveis criadas em São Paulo pelo café:  mercado consumidor, mão-de-obra. eletricidade, transportes, excelente sistema bancário - instalado inicialmente para financiar a lavoura cafeeira.
Com o surto industrial, a cidade cresceu ainda mais, ultrapassando cidades como o Rio de Janeiro, Bahia e Salvador.
A indústria brasileira começou a se concentrar no estado de São Paulo no período que vai de 1907 a 1920, tendo sua origem nas capitais da economia cafeeira. Em 1920, São Paulo participava com mais de 30% do número de indústrias do país.
Na primeira fase do processo de industrialização brasileiro (1930-1960), além do capital do comércio do café, São Paulo reuniu os principais requisitos para o desenvolvimento dessa atividade:
- mão-de-obra assalariada imigrante;
- ferrovias que ligavam o interior ao porto de Santos;
- o mercado consumidor que se formou na capital paulista e seus arredores.
Com a força econômica de São Paulo e o poder político do Distrito Federal (no Rio de Janeiro até 1960), a região Sudeste firmou-se como a maior área de concentração industrial no país. O triângulo São Paulo -Rio de Janeiro-Belo Horizonte passou a concentraras atividades secundárias no Sudeste e em todo o Brasil.

Dispersão industrial

No fim da década de 1980, já eram nítidos os sinais da dispersão industrial no Brasil. Esse processo passou a ocorrer em duas escalas:
- no território brasileiro (escala nacional), buscando se expandir para outras regiões;
- dentro da região Sudeste (escala regional), procurando fugir de áreas já muito industrializadas.
No primeiro caso, planos do governo federal procuraram instalar pólos industriais em outras regiões, como o Norte (Zona Franca de Manaus) e o Nordeste (Recôncavo Baiano).
No segundo caso, a dispersão das indústrias foi marcada pelo congestionamento da área metropolitana de São Paulo. As empresas estão fugindo da poluição, dos altos preços dos terrenos, de sindicatos fortes, e procurando cidades menores, que oferecem, entre muitas facilidades, uma excelente qualidade de vida. Outras vantagens são boa estrutura de transportes, mão-de-obra mais barata e mercado consumidor. Muitas dessas cidades possuem centros de pesquisa e universidades que permitem a instalação de tecnopolos.

Distribuição espacial das Indústrias no Brasil

Veja a participação das Grandes Regiões na produção industrial brasileira e suas principais características.

Região Sudeste
Mesmo diminuindo a importância da indústria no conjunto de suas atividades econômicas, em virtude de incentivos fiscais oferecidos principalmente pelas regiões Sul e Nordeste, o Sudeste permanece como a região mais industrializada do Brasil, tendo como destaque o triângulo formado pelas cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

São Paulo
O estado de São Paulo possui todos os ramos industriais, como o de bens de consumo não duráveis (alimentos, bebidas, vestuário, material de higiene, etc.), bens de consumo duráveis (aviões, automóveis, eletrodomésticos, entre outros), indústrias de base ou de bens de produção (metalurgia, siderurgia, cimento, produtos químicos), que se encontram distribuídos pela cidade de São Paulo e sua área metropolitana (bens de consumo e bens de produção) e por quatro principais eixos industriais que seguem suas principais rodovias:
- Eixo Castelo Branco -Raposo Tavares. Destaca-se pela produção de cimento c bens de consumo em geral — Sorocaba é o seu principal centro urbano.
- Eixo Anhanguera – Bandeirantes - Wasïlington Luís. Essas rodovias exercem papel de ligação da capital com importantes cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais. Ao longo das duas primeiras rodovias alinham-se vários estabelecimentos industriais e inúmeras cidades (Jundiaí, Araras, Porto Ferreira, Ribeirão Preto, Orlândia e São Joaquim da Barra). No eixo da Washington Luís estão localizadas em São Carlos e Araraquara. Entretanto a principal cidade é Campinas, que abriga um dos mais importantes tecnopólos do país.
- Eixo Anchieta - Imigrantes. Liga o planalto à Baixada Santista, onde estão localizados o pólo
petroquímico de Cubatão e o porto de Santos.
- Eixo formado pela Viu Dutra. A indústria automobilística e aeronáutica são os destaques desse eixo que tem na cidade de São José dos Campos outro grande pólo tecnológico do pais.
Atualmente, o interior do estado de São Paulo é a terceira maior área industrial brasileira, pois recebe cada vez mais indústrias oriundas da região metropolitana de São Paulo, que encontram nas cidades médias paulistas todas as vantagens citadas anteriormente.

Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro é o segundo estado mais industrializado do Brasil, concentrando suas atividades nos ramos da extração do petróleo (bacia de Campos na plataforma continental), siderúrgico (Volta Redonda), químico e farmacêutico (Grande Rio). A área metropolitana do Rio de Janeiro, que envolve a Baixada Fluminense (Nova Iguaçu, Duque de Caxias, entre outras cidades), é a que mais se destaca, e vem recebendo tanto investimentos nacionais quanto estrangeiros.

Minas Gerais
A instalação da Fiat (Betim) em 1973 e da Mercedes-Benz (Juiz de Fora) em 1999 atraiu outras empresas para esse estado que ocupa o terceiro lugar entre os mais industrializados do pais. Seus principais ramos industriais são o metalúrgico, o químico mecânico e o extrativo mineral, principalmente na região metropolitana de Belo Horizonte (Betim, Contagem), e o alimentício encontrado em várias regiões do estado, como nas cidades de Uberlândia, Uberaba, juiz de Fora, Guaxupé, entre outras. As reservas minerais (ferro, manganês) na região do Quadrilátero Ferrífero favoreceram a instalação de um complexo siderúrgico no Vale do Rio Doce, denominado Vale do Aço.

Espírito Santo
Espírito Santo é o estado menos industrializado do Sudeste.
O principal ramo industrial é o metalúrgico.A região metropolitana de Vitória concentra as atividades industriais. A cidade de Vila Velha, na área metropolitana de Vitória, concentra uma grande indústria alimentícia.

Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul possui o parque industrial mais dinâmico e diversificado do Sul do país. Os principais íamos industriais são o alimentício (vinho, frigoríficos), o de couro, o de calçados, o petroquímico, o automobilístico, o tabagista e o da construção civil. O eixo localizado entre a área metropolitana de Porto Alegre e a cidade de Caxias do Sul forma a maior área industrial desse estado, concentrando cidades como São Leopoldo e Novo Hamburgo. Localizadas próximo a Caxias do Sul, Garibaidi e Bento Gonçalves são os grandes municípios produtores de vinho do país.

Região Sul
A região Sul conheceu um processo de industrialização bem característico: a atividade industrial nasceu com indústrias criadas por um empresariado da região, descendente de imigrantes, baseadas em matérias-primas agropecuárias, com produção dirigida, a princípio, ao mercado regional. Só mais tarde atingiu o mercado nacional.
É a segunda região brasileira mais industrializada, do país

Paraná
A região metropolitana de Curitiba firmou-se como o terceiro pólo automobilístico brasileiro, depois do ABC paulista e de Betim, em Minas Gerais.
Empresas transnacionais, como a Audi, a Volkswagen, a Benault, a Volvo e a Chrysler, geraram milhares de novos empregos para o estado, Além do setor automobilístico, o Paraná destaca-se pelas indústrias de papel e celulose, de madeira e por aquelas ligadas à agroindústria, como as de alimentos e de fertilizantes.

Santa Catarina
O Vale do Itajaí, onde estão as cidades de Blumenau e Itajaí, com indústrias têxteis e de cristais, é a principal área industrial do estado. No entanto há diversos pólos industriais importantes, como Joinville (cerâmica), Siderópolis (carboquímicos), Concórdia (frigoríficos).

Região Nordeste
A participação industrial do Nordeste, apesar de ser apenas a terceira região no total da produção nacional, tem apresentado um crescimento maior que as demais regiões brasileiras, em consequência dos incentivos fiscais oferecidos pêlos governos dos estados nordestinos a empresários estrangeiros do Centro-Sul do país.
Na realidade, a instalação de indústrias no Nordeste é resultado dos esforços do governo para dinamizar a economia regional. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a extinta Sudene, foi a responsável pêlos primeiros pólos industriais do Nordeste. Portanto, o surto industrial conhecido por essa região a partir de 1960 não é um processo originado em seu interior, como no Sul, mas introduzido por uma política governamental e, por esse motivo, fora de sua realidade econômica, como as tradicionais indústrias têxteis, alimentícias e as ligadas à cana-de-açúcar. Por esse motivo, essas iniciativas nem sempre foram bem-sucedidas, pois as pequenas possibilidades do mercado de consumo interno acabaram por dirigir sua produção para o Centro-Sul.
Nos anos 1990, a política de incentivos fiscais adotada pêlos governos nordestinos conheceu uma importante mudança: procurou-se instalar na região indústrias destinadas à exportação, dissociadas do mercado consumidor interno (Centro-Sul). Para isso, investiu-se em infra-estrutura, como na construção do porto de Suape, em Pernambuco.
Quanto à produção industrial, destacam-se no conjunto regional os estados da Bahia, Pernambuco e Ceará.

Bahia
A região metropolitana de Salvador, onde estão instalados o Pólo Industrial de Aratu e o Pólo Petroquímico de Camaçari, é a principal área industrial do estado do Nordeste. Atraída por incentivos fiscais, a Ford instalou uma filial nesse complexo industrial.

Pernambuco
A maior parte dos estabelecimentos industriais dos estados está na área metropolitana de Recife, com destaque para os municípios de Jaboatão, Cabo e Paulista, onde são encontradas indústrias alimentícias, de material elétrico, de comunicações, metalúrgicas e de bens de consumo duráveis, em geral.

Ceará
O Ceará vem apresentando um forte crescimento nos setores de calçados e têxtil em virtude das vantagens oferecidas às indústrias para se instalarem em suas cidades, principalmente em Fortaleza.

Oásis  high tech no Agreste

Campina Grande, no interior da Paraíba, é citada em revista americana como um dos pólos tecnológicos emergentes do planeta.
                Campina Grande é hoje um oásis de prosperidade... citada pela revista americana News week como um dos mais promissores pólos tecnológicos do mundo, a cidade paraibana abriga dezenas de indústrias de informática e eletrônica e tem Produto Interno Bruto per capita duas vezes superior à média nordestina.

Região Norte
Como no Nordeste, a industrialização da região Norte foi decorrente do planejamento do governo e iniciou-se com a criação da Zona Franca de Manaus em 1967. Entretanto as grandes distâncias dos centros consumidores e a deficiência da rede de transportes da região acabaram por criar áreas industriais desarticuladas da economia regional.
O estado do Amazonas, onde está situada na Zona Franca de Manaus, e o Pará, com o parque industrial da área metropolitana de Belém, são praticamente os únicos  industrializados da porção norte do país.

Zona Franca de Manaus
Só na região da Amazônia ocidental,  o parque industrial de Manaus gera 46 mil empregos e mais de 250 mil portos em todo o Brasil. Os números também são positivos em relação aos faturamento do pólo, cuja média.anual é de 10 bilhões de dólares, t.o.m destaque para os setores eletroeletrônicos, de relógios, motocicletas,.termoplástico, canetas, brinquedos, óptico, metalúrgico e químico.
Na área metropolitana de Belém está em expansão o setor industrial ligado ao minério de alumínio extraído na cidade de Oriximiná, nas margens do rio Trombetas.

Região Centro-Oeste
Apesar de ser a região menos industrializada do Brasil, o Centro-Oeste vem apresentando elevado crescimento nos setores industriais ligados à agroindústria, como o de produção de alimentos. Goiás é o estado mais industrializado, com destaque para sua capital, Goiânia. Seguem-se o Distrito Federal (Brasília) e Mato Grosso do Sul, cujo principal centro industrial é Campo Grande.
Nos últimos anos, o Centro Oeste está mudando de patamar de desenvolvimento e deixando de ser apenas uma nova fronteira agrícola.  As empresas estão se instalando na região para transformar in loco algodão, soja, milho, além de couro e carne. Com elas, chegam também os fornecedores de serviços e insumos.

Destaques no setor industrial

Passamos a analisar sucintamente alguns setores industriais de maior destaque no Brasil e que, historicamente, tem se mostrado serem os mais importantes ou pelo valor da produção ou pelo número de empresas e de funcionários. Observa-se recentemente maior aquecimento em setores como o de papel e papelão (embalagens – o que parece ser um sinal de aquecimento da economia), além dos setores de borracha, metalúrgico e têxtil.

- Siderurgia – o Brasil está entre os dez maiores produtores de aço no mundo, iniciando maior desenvolvimento a partir da entrada em funcionamento da CSN em 1946, no município de Volta Redonda – RJ. A maior parte das siderúrgicas brasileiras concentra-se no Sudeste devido à proximidade do ferro e manganês do Quadrilátero Ferrífero - MG, da boa rede de transportes (ferrovias, proximidade de portos) e do mercado consumidor (representado pelas indústrias que consomem o aço). Podemos destacar:
-MG : USIMINAS, ACESITA e Belgo-Mineira;
-RJ : CSN (Companhia Siderúrgica Nacional);
-SP : COSIPA (Companhia Siderúrgica Paulista);
-ES : CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão).
Esse setor já foi privatizado. Busca nesse período a modernização e eficiência para aumentar sua competitividade. A produção e os lucros cresceram mas enfrenta-se no mercado externo um duro protecionismo no Primeiro Mundo (EUA) que estabelece taxas e quotas para a compra do aço brasileiro. Também melhorou a qualidade do aço produzido após a privatização, assim como a diversificação de produtos fabricados pela
siderurgia no Brasil.

- Química –          setor que ainda promove uma abertura e modernização. Sua produção Também é crescente com grande destaque para o setor petroquímico. A entrada do capital estrangeiro nesse setor e a quebra do monopólio da PETROBRAS trazem a perspectiva de grande aumento da produção e de aumento dos investimentos. Outro destaque é a produção de adubos e fertilizantes. Reúne ainda as produções de cosméticos e perfumaria.
Permanecem ainda problemas na Química Fina que envolve uma tecnologia mais avançada como no setor químico-farmacêutico.

- Automobilística –            inicialmente com forte concentração na região do ABC, a partir dos anos 70 inicia uma maior dispersão geográfica deslocando-se para Betim – MG (FIAT) e Vale do Paraíba nos anos 80 (Taubaté e São José dos Campos). As mudanças empreendidas na década de 90 alteram bastante o perfil desse setor. A abertura do mercado interno provocou a necessidade de produzir um automóvel de melhor qualidade. Posteriormente, a entrada de novas montadoras (como a Renault, Peugeot, Toyota, Mitsubishi e Audi) diversifica a oferta de produtos e aumenta a produção. O Brasil começa a se tornar uma plataforma de produção para vendas não só no mercado interno mas também para exportação. O baixo nível de renda no país, a ausência de estímulos mais eficazes para o setor exportador e a ocorrência de crises no país ou importadas de outros, ainda tem provocado instabilidades no setor com quedas na produção e nas vendas. Trata-se também de uma indústria que atualmente poupa mão-de-obra e terceiriza muitas etapas da produção.
Geograficamente, apresenta maior dispersão pelo território mas ainda concentrada na Região Sudeste onde é maior o mercado consumidor.
- Têxtil – apresenta maior crescimento após a Segunda Guerra Mundial mas, obsoleta nos anos 80, passa a enfrentar sérias dificuldades com a progressiva abertura do mercado interno, especialmente durante os anos 90 com a entrada do produto asiático que utiliza uma mão-de-obra muito barata. Essa mesma abertura facilita o re-equipamento desse setor com a compra de novas máquinas. Promove-se também uma modernização administrativa e na produção. Várias indústrias têxteis não suportaram o quadro decorrente dessa abertura e fecharam as portas nos anos 90. As que sobreviveram parecem estar mais competitivas. A indústria têxtil dissemina-se por todo o país com
maior concentração nas Regiões Sudeste e Sul.

- Alimentícia –a produção brasileira é muito diversificada, de boa qualidade e conta com a presença de algumas grandes multinacionais. Também se encontram bastante dispersas pelo território com maior concentração no Sudeste e no Sul (maior mercado consumidor, não só na quantidade mas também observando-se o nível de renda da população). É um setor com fortes ligações com a agropecuária preocupando-se com a procedência da matéria- prima (regularidade na quantidade e qualidade) e, assim, acaba por influenciar
muito a vida do produtor rural. A exportação de alimentos industrializados tem apresentado crescimento. Essa indústria reúne o setor do açúcar, leite e derivados, óleos vegetais, massas, bebidas (como sucos, refrigerantes, vinho e aguardente), carne e derivados, doces, chocolate, sorvete e outros.

Concentração industrial

A indústria brasileira começou a se concentrar no estado de São Paulo no período que vai de 1907 a 1920, tendo sua origem nas capitais da economia cafeeira. Em 1920, São Paulo participava com mais de 30% do número de indústrias do país.
Na primeira fase do processo de industrialização brasileiro (1930-1960), além do capital do comércio do café, São Paulo reuniu os principais requisitos para o desenvolvimento dessa atividade:
- mão-de-obra assalariada imigrante;
- ferrovias que ligavam o interior ao porto de Santos;
- o mercado consumidor que se formou na capital paulista e seus arredores.
Com a força econômica de São Paulo e o poder político do Distrito Federal (no Rio de Janeiro até 1960), a região Sudeste firmou-se como a maior área de concentração industrial no país. O triângulo São Paulo -Rio de Janeiro-Belo Horizonte passou a concentraras atividades secundárias no Sudeste e em todo o Brasil.

Dispersão industrial

No fim da década de 1980, já eram nítidos os sinais da dispersão industrial no Brasil. Esse processo passou a ocorrer em duas escalas:
- no território brasileiro (escala nacional), buscando se expandir para outras regiões;
- dentro da região Sudeste (escala regional), procurando fugir de áreas já muito industrializadas.
No primeiro caso, planos do governo federal procuraram instalar pólos industriais em outras regiões, como o Norte (Zona Franca de Manaus) e o Nordeste (Recôncavo Baiano).
No segundo caso, a dispersão das indústrias foi marcada pelo congestionamento da área metropolitana de São Paulo. As empresas estão fugindo da poluição, dos altos preços dos terrenos, de sindicatos fortes, e procurando cidades menores, que oferecem, entre muitas facilidades, uma excelente qualidade de vida. Outras vantagens são boa estrutura de transportes, mão-de-obra mais barata e mercado consumidor. Muitas dessas cidades possuem centros de pesquisa e universidades que permitem a instalação de tecnopolos.

A "guerra fiscal

Guerra fiscal pode ser conceituada como a exacerbação de práticas competitivas entre entes de uma mesma federação em busca de investimentos privados. Benesses fiscais atrativas incentivariam a migração de determinados agentes privados, os quais, segundo postulados econômicos clássicos, sempre tendem a buscar o menor custo produtivo e, consequentemente, maior lucro.
Para atrair investimentos aos seus respectivos estados, os governos infranacionais (como estados ou municípios) oferecem aos contribuintes determinados benefícios fiscais, como créditos especiais de ICMS ou empréstimos subsidiados de longo prazo.
No Brasil, existe também a guerra fiscal entre municípios, utilizando-se, na maior parte das vezes, benefícios relativos ao ISS (imposto sobre Serviços).
Apesar de ser bom para o contribuinte, na prática, a guerra fiscal entre os estados provoca distorções na arrecadação do ICMS, pois os estados exportadores, indiretamente, transferem parte do ônus dos incentivos praticados para os estados importadores dos produtos e serviços tributados.
Mas o contribuinte também pode ser vítima desta guerra: o adquirente de bens ou serviços, oriundos de outro estado, quando o remetente usufrui de incentivo fiscal no estado de origem, pode sofrer sanções do seu estado, como, por exemplo, restrições do direito ao crédito do ICMS.

Prós e Contras

Grandes metrópoles têm enorme potencial de atração de indústrias e serviços devido ao baixo custo logístico, à mão-de-obra abundante e à diversidade do mercado consumidor.
A Guerra Fiscal é um instrumento utilizado por estados mais pobres e distantes de grandes centros urbanos para atrair investimentos e evitar que haja esvaziamento econômico. Os descontos no ICMS muitas vezes superam os custos de logística de recebimento de matéria-prima e entrega de produtos manufaturados.
Outro fator preponderante é a mão-de-obra, que por falta de diversidade de mpregadores tende a aceitar salários e benefícios menos atraentes que os trabalhadores de grandes centros, geralmente mais sindicalizados. Regiões de baixa ou recente industrialização têm menos vínculos com a atividade sindical.
A dispersão social também é analisada principalmente na questão beneficiária. Além de desonerar o empregador com custos de deslocamentos, muitas vezes sendo necessário que o funcionário se desloque por vários quilômetros, sendo obrigado a tomar até duas conduções, em cidades menores ele pode ir a pé, diminuindo consideravelmente atrasos e faltas, o que influi positivamente na lucratividade.

"Um fator decisivo para o processo de descentralização industrial, tanto em escala nacional como regional, é a disputa travada por estados e municípios para receber as instalações de grandes empresas transnacionais, E a chamada "guerra fiscal", que consiste em conceder desde terrenos para as fábricas até isenções parciais ou totais de impostos.


 Obras de Referência:

Brasil Sociedade e Espaço - José William Vesentini - Edit. Ática
IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Indústria. Nota - Base: ano interior = 100
http://www.brasilescola.com/geografia/tipos-industrias.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_fiscal



Situação de aprendizagem 2
O espaço Agropecuário no Brasil

A atividade da agropecuária pertence ao setor primário da economia. Apesar de o ser mais a atividade de maior importância na economia brasileira continua se destacando pela significativa participação em nosso comércio exterior, pelo emprego de aproximadamente 1/5 da PEA, pela produção de alimentos para uma população numerosa (com uma parcela que, infelizmente, o possui renda suficiente para um bom padrão alimentar) e pela produção de matérias-primas para vários setores industriais e energéticos.
O Brasil possui um extenso território com relativa variedade de climas, predominantemente quentes, que nos permite o cultivo de quase todos os produtos em larga escala. Há dificuldades em se obter uma grande produção de gêneros de climas de temperaturas moderadas com custos aceitáveis. Enfrentamos problemas de geadas no Sul e Sudeste durante o inverno, inundações de verão em algumas porções do território nacional e secas prolongadas especialmente no Sertão. Mas, de uma maneira geral, o temos grandes problemas climáticos que nos impeça a prática agrícola.
Encontramos vários tipos de solos no país, alguns de grande fertilidade como a terra-roxa, o massapé e o solo de várzea ou aluvial. Mas, em muitas áreas do território brasileiro, os solos possuem baixa fertilidade ou problemas como acidez elevada. Muitos solos do país, para produzirem satisfatoriamente, necessitam da aplicação de adubos, corretivos químicos e fertilizantes.

Alguns problemas específicos que afetam os solos do Brasil:

- lixiviação constitui no empobrecimento dos solos em regiões de climas muito úmidos com chuvas freqüentes que através do escoamento superficial retiram o material fértil do solo;

- laterização constitui na formação de uma crosta ferruginosa endurecida próxima à superfície do solo pela concentração de óxidos de ferro e alumínio. Ocorre em áreas de clima tropical em que se alternam uma estação chuvosa (dissolução desses óxidos) e seca (quando esse material se acumula próximo à superfície e forma a crosta).

- erosão e esgotamento do solo provoca a destruição física do solo e a perda de sua qualidade. Quando desprotegido, pela retirada da vegetação, acentua-se esse processo, retirando-se as partículas que formam o solo, seus constituintes minerais e orgânicos. Quando em estágio avançado provoca a formação de sulcos profundos denominados voçorocas. É causado pela ação do clima, em áreas com chuvas intensas. Mas é agravado pelo uso de técnicas agropecuárias incorretas, predatórias e prejudiciais ao solo: desmatamento (especialmente junto às margens dos rios), monocultura sem os cuidados necessários (reposição do material fértil ao solo), cultivo seguindo a mesma linha do declive do terreno (sem a aplicação das curvas de nível e/ou terraceamento), excesso de animais sobre o solo e excesso de peso sobre o mesmo.


Os solos constituem um importante recurso natural que deve ser preservado através de técnicas conservacionistas. A recuperação de um solo pode ser demorada e muito cara. Infelizmente, grandes parcelas de solo são sistematicamente destruídas em todo o mundo. Em algumas áreas o processo de desertificação avança sobre áreas que antes produziam alimentos (ex: sahel, na África).

Sistemas de produção na agricultura

- Sistema extensivo - técnicas simples mão-de-obra desqualificada abundância de terras baixa produtividade rápido esgotamento dos solos.
Esse sistema é característico de regiões com grandes extensões de terras vazias e de menor grau de desenvolvimento. Nele podemos incluir uma simples roça (como na Amazônia, entre caboclos e indígenas), com procedimentos muito simples e de caráter itinerante: retira-se uma porção da mata, realiza-se uma queimada para limpeza do terreno, misturam-se as cinzas ao solo e se realiza uma monocultura sem maiores cuidados por um breve período de dois a três anos, quando então o solo se esgota e parte-se para outra área, realizando-se o mesmo procedimento.

- Sistema intensivo - técnicas modernas mão-de-obra qualificada terras exíguas alta produtividade conservação dos solos

É um sistema característico de regiões de maior desenvolvimento, geralmente com maior ocupação humana e com o uso de pequenas e médias propriedades, especialmente produzindo para abastecimento do mercado interno.o comuns a prática da policultura e pecuária leiteira através desse sistema.

- Plantation - grandes áreas técnicas modernas muita mão-de-obra elevada produtividade monocultura agroindústria/exportação.
Esse sistema passou a ocupar grandes áreas em países subdesenvolvidos ocupando seus melhores solos. Está principalmente voltada para o mercado externo. Aplica a mecanização quando possível (lembre-se que o é todo cultivo que permite mecanização). Mesmo assim utiliza muita mão-de-obra (trabalha com propriedades, por vezes, com milhares de hectares de extensão), principalmente temporária (o bóia-fria ou trabalhador volante), bem como o serviço de técnicos agrícolas e agrônomos.


Formas de exploração da terra

As Relações de Trabalho nas Atividades Rurais

O trabalho assalariado não é a única e nem mesmo a principal forma de relação trabalhista praticada nas atividades agrárias. Outras formas de relações não-capitalistas como a parceria, pequena propriedade familiar, também se fazem presentes no meio rural.
- Pequenos Proprietários - Representam um significativo número de pessoas ativas, aproximadamente 7 milhões, que correspondem a cerca de 40% da população ativa do setor primário. Trata-se de minifundiários ou posseiros que trabalham em base familiar, praticam policultura de subsistência e criação de animais domésticos (suínos, aves, bovinos). O excedente da produção é comercializado, possibilitando ao trabalhador a aquisição de remédios, roupas, instrumentos agrícolas, etc.

- Parceiros - A parceria é uma relação trabalhista em que o trabalhador recebe (em espécies) uma parte da produção. Não são empregados e não possuem carteira assinada.
A meiação (meeiros) é a forma mais comum; metade da produção fica com o dono do imóvel e a outra metade para o trabalhador. Outras formas existem, como a "terça" (terceiros) em que o trabalhador fica com a terça parte do que é produzido; e a "quarta" ou sorte (quarteiro), muito comum na pecuária do sertão nordestino, em que o trabalhador recebe um bezerro para cada quatro nascidos vivos.

- Arrendatários - São os trabalhadores rurais que arrendam ou alugam um imóvel rural, mediante um contrato de locação, pagando ao proprietário em dinheiro conforme o estipulado pelo contrato. A maior parcela desse tipo de trabalhador é representada por pequenos arrendatários que lavram as terras juntamente com suas famílias, possuindo baixos rendimentos e baixo padrão de vida.

- Assalariados Permanentes - Trata-se de uma relação de trabalho tipicamente capitalista. Os empregados que trabalham para grandes proprietários ou empresas rurais, são registrados e recebem salários.
Representam minoria no meio rural (10% da mão-de-obra rural).

- Assalariados Temporários - São trabalhadores (volantes, posseiros ou pequenos proprietários) que trabalham nas grandes propriedades durante um período do ano, épocas de maior necessidade de mão-de-obra (safra).
Os trabalhadores volantes ou "bóias frias" são aqueles recrutados na periferia das cidades por turmeiros ou empreiteiros que servem de intermediários entre os trabalhadores e os proprietários.
Trabalham na colheita da cana-de-açúcar, algodão, laranja, café, etc. e recebem pagamento diário ou por tarefa.
- O peão - trabalhador volante mais recente que o bóia fria, é muito utilizado nas regiões de fronteiras agrícolas, sobretudo em projetos agropecuários da Amazônia. É "contratado" por um intermediário (gato) para trabalhar em regiões distantes, com promessas de salários, alojamento e alimentação.
Quando recebe o pagamento, aparecem os "descontos": custos de transporte, alimentação, hospedagem, etc., quase nada restando do seu salário, chegando, às vezes, a ficar devendo. Muitas vezes jagunços e pistoleiros são contratados para evitar a fuga de trabalhadores, reproduzindo uma situação de escravidão (peonagem).

Tipos de estabelecimentos rurais

I. Imóvel rural. Área que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, seja pela
iniciativa privada ou pública.

II. Propriedade familiar. O imóvel rural explorado pelo agricultor e sua família e que lhe garanta trabalho, subsistência, com área máxima estabelecida  por região.

III. Minifúndio. O imóvel rural de área e possibilidades inferiores à propriedade familiar.

IV. Latifúndio:

a) Por dimensão. Propriedades com área superior a seiscentas vezes o módulo rural fixado para a região onde se localiza.

b) Por exploração. Propriedades que tenham área menor do que o estabelecido, mas que esteja sendo mantida inexplorada ou deficientemente explorada, para fins especulativos, não podendo ser considerada uma empresa agrária.

V. Empresa rural. É o imóvel rural explorado econômica e racionalmente por pessoa física, jurídica, pública e privada. Entre as atividades realizadas no estabelecimento estão as áreas de cultura, reflorestamento, matas naturais, pastagens e benfeitorias.
Possui de 1 a 600 módulos rurais de área.

VI. Módulo rural. É o modelo ou padrão que deve corresponder à propriedade familiar.
A área do módulo rural vai depender das características ecológicas e econômicas de onde está localizado.
É claro que as dimensões do módulo rural em áreas de pecuária extensiva vão ser bem maiores do que em áreas de policultura comercial.


Problemas enfrentados pela  agropecuária no Brasil

- reduzido aproveitamento dos espaços disponíveis muitas terras no Brasil o apresentam qualquer forma de utilização. Parte do crescimento de nossas safras agrícolas tem dependido da incorporação de novos espaços a esse setor produtivo mas ainda podemos ampliar e muito o espaço agrícola do país;

- baixo nível de instrução e cultura do agricultor grande parte dos que trabalham na terra tem um nível de instrução muito baixo, ou o mesmo analfabetos. Melhorar o padrão de cultura da população é importante e, no caso do agricultor é necessário que ele possa evoluir também em seus conhecimentos técnicos para que deixe de utilizar técnicas antiquadas que contribuem para a baixa produtividade e desgaste do solo;

- nível de mecanização o avanço da mecanização na agricultura vem ocorrendo especialmente no Centro-Sul do país. A mecanização e o uso de técnicas modernas permite um aumento da produtividade. A sua aplicação indiscriminada, irracional, traz problemas como um desemprego acelerado no
campo e até mesmo intensificação da erosão do solo. Deve ser introduzida de maneira planejada e deve ser estimulada como uma forma de permitir ao produtor a competitividade para sobreviver no mercado;

- crédito rural e preços mínimos para que o agricultor possa produzir ele precisa de uma linha de financiamentos, com juros reduzidos, para fazer frente aos gastos tanto no plantio (sementes, adubos, fertilizantes, equipamentos de irrigação, ferramentas, mão-de-obra) como na colheita (máquinas, combustível, mão-de-obra, embalagens, estocagem e transporte). Historicamente, no Brasil, o volume de recursos à disposição para o agricultor o tem conseguido atender a todos e muitas vezes foi mal distribuído e desviado de suas reais finalidades (construção de hotéis-fazenda, piscinas em mansões rurais...). Na última década o Brasil conseguiu evoluir nessa questão e além disso tem aumentado o percentual de agricultores capitalizados o suficiente para bancar seu próprio empreendimento. A adoção de uma política de preços mínimos, justa, traz segurança e tranqüilidade ao produtor, desde que o se concentre apenas em uma prática de subsídios que onerem o Estado e dificulte a capacidade de evolução da competitividade da agropecuária brasileira (como ocorre em países europeus).

- armazenamento e transporte -  a safra agrícola tem conseguido recordes de produção. Mas ainda permanecem problemas na armazenagem (deficiente e/ou insuficiente, com falta de silos e armazéns, muitas vezes inapropriados para guardar a safra) e no transporte inadequado, o que leva a perdas significativas da colheita e a prejuízos ao agricultor. Caso ele tivesse acesso a uma capacidade maior de armazenagem, o precisaria escoar toda a sua produção imediatamente para o mercado e poderia conseguir um melhor preço posteriormente.

- distribuição de terras historicamente o modelo econômico adotado pelo Brasil e as legislações criadas favoreceram a formação de grandes propriedades através de um processo de concentração de terras. Nas últimas décadas a continuidade desse processo associado à modernização agrícola (expansão da mecanização) e à pressão por uma agricultura cada vez mais capitalizada expulsou muitos trabalhadores do campo que se dirigiram para as cidades no movimento migratório do êxodo rural. Os que permaneceram no campo engrossaram movimentos sociais, organizados ou não, multiplicando-se casos de invasões de propriedades, conflitos e mortes nas áreas rurais. A grilagem de terras contribuiu para agravar a revolta social no campo brasileiro, assim como a presença de posseiros preocupados com sua sobrevivência e de sua família. A formação de grupos armados por fazendeiros para proteção de suas terras (legais ou griladas) e a expansão das fronteiras agrícolas brasileiras contribuíram para definir um quadro de violência e ilegalidade nas áreas rurais, incluindo-se aí a invasão de terras indígenas, muitas vezes massacrados na luta com os brancos. Juntam-se a todos esses atores alguns setores progressistas da Igreja e grupos políticos ideologicamente de uma esquerda mais radical (revolucionários) que também defendem seus pontos de vista e interferem na questão.
Assim, a necessidade pela execução de uma reforma agrária no país foi se tornando urgente e inadiável. A atuação do INCRA durante os governos militares preocupou-se mais com a colonização agrícola de áreas vazias do território nacional (como a Amazônia) do que com a redistribuição de terras, enquanto se incentivava também a ocupação do cerrado por grandes propriedades exportadoras (como a produção de soja, por exemplo). Em 1985, no início de redemocratização do país, o governo de José Sarney cria o Ministério da Reforma Agrária e a Constituição promulgada em 1988 contempla um Plano Nacional de Reforma Agrária, de responsabilidade do Estado. A desapropriação de terras improdutivas que o estejam cumprindo sua função social está sendo feita, assim como a redistribuição de terras.
O ritmo dessa reforma é contestado por alguns que a julgam lenta e tímida. Vale lembrar que existem interesses conflitantes nessa questão e, nem sempre os recursos suficientes para uma intensificação desse processo. Além disso, é importante frisar que uma Reforma Agrária o pode parar simplesmente no ato de redistribuição de terras, mas deve garantir condições mínimas para que o camponês pobre possa produzir: linhas especiais e subsidiadas de financiamento, treinamento e qualificação de mão-de-obra, estímulo à formação de cooperativas e criação de centros de apoio para armazenagem, transporte e comercialização da produção.
Ao mesmo tempo em que avança a execução do PNRA (ainda que não seja a Reforma Agrária desejada por alguns setores da sociedade) avança a moderna produção agroindustrial, consolidando-se no Centro-Sul do país e estendendo-se pelo Nordeste e Amazônia. Preocupada com o aumento da produtividade, com a melhoria da qualidade na produção agropecuária e com ganhos de competitividade busca expandir seus mercados externos e enfrenta a prática protecionista de muitos mercados como o europeu e o norte- americano. Essa moderna agropecuária tem se preocupado com o uso progressivo de sementes selecionadas, rebanhos melhorados, informatização no campo, pesquisas agropecuárias, controle rigoroso do rebanho e até mesmo o polêmico cultivo de transgênicos.

O Brasil, nos últimos quarenta anos, sofreu uma profunda transformação em sua estrutura de produção econômica. As atividades secundárias (indústria) e terciárias (serviços) passaram a representar a base da economia. Entretanto, apesar do grande desenvolvimento urbano-industrial, a agricultura continua a desempenhar importante papel na economia do país.
As atividades relacionadas à agropecuária empregam ainda um número significativo de trabalhadores (cerca de 25% da população ativa).
As atividades agrárias transformaram-se num apêndice da economia urbano-industrial, fornecedoras de insumos (soja, laranja, cana, algodão, etc.) e consumidoras de produtos industriais (adubos, agrotóxicos, máquinas e implementos agrícolas, etc.). Essa integração da agricultura ao setor industrial provocou alterações e modernização da base técnica e capitalização nas atividades agrárias, sobretudo nas praticadas pelas empresas rurais.
As atividades agropecuárias desempenham outra importante função na economia brasileira: a de geradora de divisas. Através da exportação de produtos agrícolas e agroindustriais, o setor primário contribuiu para o Brasil alcançar saldos positivos na balança comercial nos últimos anos.
Além de um grande crescimento nas exportações agrícolas, ocorreu uma grande diversificação de produtos (soja, suco de laranja, fumo, carne, café, cacau, algodão, etc.).
Por outro lado, o setor agropecuário destinado à produção de alimentos para o mercado interno não tem acompanhado o ritmo de crescimento do setor agrário-exportador. O cultivo de alimentos básicos é feito, sobretudo, por camponeses familiares e pequenos produtores que continuam a empregar técnicas rudimentares com baixa produtividade e baixos lucros, provocando falta de capital para a aquisição de tecnologia. Como conseqüência, a produção per capita de alimentos para o mercado interno (arroz, feijão, mandioca) retrocedeu acentuadamente.

A Estrutura Fundiária

A estrutura fundiária é a forma como estão organizadas as propriedades agrárias de um país ou região, isto é, a classificação dos imóveis rurais segundo o número, tamanho e distribuição social.
A estrutura fundiária brasileira representa um dos maiores problemas agrários do país e se caracteriza  pela extrema concentração de terras em mãos de um pequeno número de proprietários. Por outro lado, a maior parte dos produtores rurais (pequenos proprietários) possuem uma área de terras agrícolas muito reduzida, insuficiente, na maior parte das vezes, para garantir a sobrevivência de sua própria família.

Os pequenos estabelecimentos rurais, com menos de 10 habitantes, correspondiam a 52,9% do total, ocupando, porém, uma área extremamente reduzida (2,7% da área).
Por outro lado, as grandes propriedades com mais de 1 000 habitantes que correspondiam a 1,2% dos imóveis rurais brasileiros, ocupavam, em 1985, 43,8% da área das propriedades rurais brasileiras.
Concluindo, podemos afirmar que a estrutura fundiária brasileira se caracteriza pelo elevado padrão de concentração da terra, concentração essa que tem persistido nas últimas décadas.
Nos latifúndios existe um subaproveitamento do fator terra, pois essas propriedades são aproveitadas apenas parcialmente e, muitas vezes, nem chegam a ser exploradas, pois são transformadas em objeto de especulação.
Nos minifúndios ocorre um subaproveitamento do fator trabalho, pois o espaço reduzido é insuficiente para absorver de forma produtiva toda a força de trabalho, gerando, com isso, subemprego rural.

A Subutilização do Espaço Agrário

Os pequenos estabelecimentos dominam em relação ao número; entretanto, sua participação na área ocupada pelas propriedades é irrisória.
Os grandes estabelecimentos, ao contrário, existem em número reduzido, mas ocupam a maior parte das terras.
A subutilização do espaço rural fica evidente nos gráficos; a agricultura ocupa uma reduzida área e a maior parte do espaço agrário é ocupado por pastagens, onde quase sempre pratica-se uma pecuária extensiva de baixo rendimento.

Reforma Agrária

A reforma agrária é vista por vários segmentos da sociedade brasileira como uma necessidade, face aos vários problemas socioeconômicos do campo e da cidade.
Entretanto, esse problema encontra-se fortemente interligado ao conjunto econômico, político e social do país e de suas relações com o mercado externo; nenhuma alteração pode ser pensada isoladamente. Torna-se necessária a consideração das variáveis que afetam o conjunto da organização socioeconômica brasileira. Qualquer proposta para o problema agrário deve ser colocada em termos globais, considerando suas repercussões em outros campos.
A reforma agrária visa a aumentar a produtividade do solo e do trabalho nas atividades rurais, garantindo ao homem do campo um padrão de vida decente. Além da distribuição de terras, várias outras medidas devem ser tomadas, como assistência técnica, educação, financiamento do custeio e do equipamento, política de preços mínimos, infra-estrutura de transporte, armazenagem, telefonia e eletrificação rural.

Conflitos pela Posse da Terra

Nas duas últimas décadas, ocorreu uma intensificação nos conflitos pela posse da terra e a violência no campo. Essa violência é bem mais grave nas áreas de fronteiras agrícolas, isto é, áreas que estão sendo incorporadas ao sistema de produção agrícola do país (Amazônia, por exemplo).
Os trabalhadores rurais, expulsos das antigas áreas agrícolas pelo grande capital, instalam-se como posseiros ou pequenos proprietários nas fronteiras agrícolas, áreas onde a terra é abundante, praticando uma agricultura de subsistência.

Posseiros X Grileiros

O maior número de conflitos pela posse da terra envolve os posseiros e grileiros.
Posseiros são trabalhadores rurais que ocupam um pedaço de terra sem possuir o título de propriedade, onde passam a praticar uma agricultura de subsistência utilizando o trabalho da própria família. Os grileiros são, geralmente, grandes empresas ou fazendeiros que se utilizam da força e da violência para se apropriar de terras devolutas ou terras trabalhadas por posseiros. Contratam jagunços (capangas) para "limpar" o terreno, ou seja, expulsar índios e posseiros que por ventura estejam ali fixados. Conseguem a documentação do imóvel (títulos de propriedade), muitas vezes falsificadas, transformando a terra em objeto de especulação imobiliária ou instrumento de negócios.
Os litígios pela posse da terra têm gerado uma verdadeira guerra no campo, palco de acentuada violência, causando a morte de muitas pessoas: índios, posseiros, religiosos, advogados, líderes sindicais, etc. Grande parte dos crimes são praticados por jagunços e assassinos de aluguel, contratados pelos grileiros, fazendeiros e grandes empresas e também por policiais a serviço dos latifundiários.
O gráfico abaixo (mortos em conflitos de terra) ilustra o resultado dessa guerra no campo.

Sistemas de produção na pecuária

- Sistema Extensivo - grandes propriedades gado criado a solta sem cuidados veterinários raças simples uso de pastagens naturais baixa qualidade e produtividade destinado ao corte.

- Sistema Intensivo - Pequenas e médias propriedades Criação confinada em estábulos ou currais Cuidados veterinários Raças selecionadas e aprimoradas Uso de pastagens cultivadas Rações balanceadas Alta qualidade e produtividade.
Destinado à produção de leite

Evidentemente essa classificação e características o de natureza bem didática, mas na prática é muito comum que se combinem características dos dois sistemas e, com a modernização progressiva e exigências cada vez maiores do mercado, observa-se uma rápida evolução qualitativa nas técnicas de criação. Os pecuaristas m se preocupado em acompanhar as tendências desse mercado muito competitivo.


O que são os transgênicos?

Transgênicos (português brasileiro) são organismos que, mediante técnicas de engenharia genética, contêm materiais genéticos de outros organismos. A geração de transgênicos visa organismos com características novas ou melhoradas relativamente ao organismo original. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970, na qual foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante. A manipulação genética combina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Por exemplo, podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais.

A aplicação mais imediata dos organismos transgênicos e dos organismos geneticamente modificados em geral é a sua utilização em investigação científica. A expressão de um determinado gene de um organismo num outro pode facilitar a compreensão da função desse mesmo gene.
No caso das plantas, por exemplo, espécies com um reduzido ciclo de vida podem ser utilizadas como "hospedeiras" para a inserção de um gene de uma planta com um ciclo de vida mais longo. Estas plantas transgênicas poderão depois ser utilizadas para estudar a função do gene de interesse mas num espaço de tempo muito mais curto. Este tipo de abordagem é também usado no caso de animais, sendo a Drosophila melanogaster (mosca da fruta) um dos principais organismos modelos.
Em outros casos, a utilização de transgênicos é uma abordagem para a produção de determinados compostos de interesse comércio, medicina ou agronômico, por exemplo. O primeiro caso público foi a utilização da bactéria Escherichia coli, que foi modificada de modo a produzir insulina humana no final da década de 1970.
Alimentos .
São alimentos produzidos a partir de organismos cujo embrião foi modificado em laboratório, pela inserção de pelo menos um gene de outra espécie. Alguns dos motivos de modificação desses alimentos são para que as plantas possam resistir às pragas (insetos, fungos, vírus, bactérias e outros) e a herbicidas. O mau uso de pesticidas pode causar riscos ambientais, tais como o aparecimento de plantas resistentes a herbicidas e a poluição dos terrenos e lençóis de água. O uso de herbicidas, inseticidas e outros agrotóxicos pode diminuir com o uso dos transgênicos, já que eles tornam possível o uso de produtos químicos corretos para o problema. Uma lavoura convencional de soja pode utilizar até cinco aplicações de herbicida, enquanto que uma lavoura transgênica Roundup Ready (resistência ao herbicida glifosato) utiliza apenas uma aplicação.

Prevalência de culturas geneticamente modificadas

É estimado que a área de cultivo deste tipo de variedades esteja com uma taxa de crescimento de 13% ao ano. A área total plantada é já superior a 100 milhões de hectares, sendo os principais produtores os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil, a Argentina, a China e a Índia. Vários países europeus, entre os milhões de hectares de culturas transgênicas. As culturas prevalentes são as de milho, soja e algodão, baseadas principalmente na tecnologia Bt.2
É necessário também diferenciar alimentos trangênicos de alimentos geneticamente selecionados, pois este segundo não foi parte de uma troca de genes com outra espécie, mas sim, a seleção de indivíduos com características favoráveis e sua reprodução em um meio artificialmente isolado.

Polêmica

Atualmente existe um debate bastante intenso relacionado à inserção de alimentos geneticamente modificados (AGM) no mercado. Alguns mercados mundiais, como o Japão, rejeitam fortemente a entrada de alimentos com estas características, enquanto que outros, como os norte e sul-americanos e o asiático têm aceito estas variedades agronômicas.

Principais produtos agrícolas


O Brasil apresenta atualmente uma produção agrícola muito diversificada. É grande produtor mundial de vários produtos.
- milho é o principal produto de nossa agricultura, de amplo consumo interno, o só pelas pessoas mas também utilizado como ração animal. É cultivado em simples roçados e também em grandes propriedades mecanizadas, com maior produção no Centro-Sul do país;

- soja o maior produto agrícola de exportação do país. Foi o cultivo de maior expansão nas últimas décadas do século XX. Grande parte da produção é exportada no momento de entressafra para os países do hemisfério norte. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais;

- café – o Brasil continua sendo o maior produtor e exportador mundial e procura atualmente melhorar a imagem de qualidade do café que produz e exporta para conquistar novos mercados mais seletivos. Minas Gerais é o maior produtor nacional. O problema de geadas em terras paulistas e paranaenses deslocou esse cultivo mais para o norte, invadindo o Centro-Oeste e até a Amazônia;

- cana o Brasil também costuma aparecer como o maior produtor mundial e um grande exportador de açúcar. No entanto, a grande expansão da cana a partir de meados da década de 1970 se deveu a Estado de São Paulo, o maior produtor nacional;

- arroz importante alimento para abastecer o mercado interno, muitas vezes com produção insuficiente para abastecê-lo, pode ser encontrado do sul ao norte do país. As áreas mais recentes de produção estão no Centro-Oeste e Amazônia. O Brasil chega a ser o maior produtor ocidental desse gênero agrícola;

- trigo talvez o maior problema em nossa produção agrícola porque 2/3 do mercado interno continuam sendo abastecidos com o trigo importado da Argentina e EUA. Novas áreas de produção em climas mais quentes permitem um aumento da colheita do trigo no país, mas com uma produtividade menor e a um custo mais elevado;

- algodão a produção é crescente para um mercado interno também em expansão, especialmente na indústria têxtil. O Centro-Oeste tem se tornado a principal área de cultivo, com destaque para o Mato Grosso;

- cacau com dificuldades para manter posição de destaque no mercado externo, a principal área de produção é o sul da Bahia, na região de Ilhéus e Itabuna. Cultura afetada pela praga da vassoura-de-bruxa que levou produtores do cacau a partirem para outros empreendimentos;

- laranja o Brasil disputa com os EUA a liderança mundial e é grande exportador, especialmente para o próprio mercado norte-americano. São Paulo é o líder da produção nacional;

- uva destaca-se a área de produção das Serras Gaúchas, com destino para a produção de vinho. Estamos apresentando aumento no total colhido, bem como melhoria de qualidade, indispensável para vendas externas de vinho.
alimento para o mercado interno, a mandioca, a banana (Vale do Ribeira) além da maior produção de frutas tropicais.

Pecuária

Definição: Compreende a criação de gado (bovino, suíno e eqüino e etc.), aves, coelhos e abelhas.

A criação de gado bovino é a mais difundida mundialmente devido à utilidade que  apresenta ao homem – força de trabalho, meio de transporte e principalmente fornecimento de carne, leite e couro. O gado bovino compreende três espécies principais: O boi comum (bos taurus), o zebu ou boi indiano (bos indians) e o búfalo (bubalus bubalis).

Finalidades: Atende a duas finalidades básicas: a pecuária de corte e a pecuária leiteira.
A pecuária de corte é a criação destinada ao abate para o fornecimento de carne, as principais raças encontradas no Brasil são: Angus, Hereford, Shorthorn , Devon e etc.(inglesas) Nelore, Gir, Guzerá (indianas) e indu – brasileiras, Red polled, Normanda, Santa Gertudes e etc. (mistas)
A pecuária leiteira é a criação destinada à produção de leite e derivados. As melhores raças surgiram também na Europa daí espalhando-se para o mundo. As principais são: Holandesa, Flamenga e Jersei.

Histórico

Introduzido no Brasil por volta de 1530 em São Vicente (S.P.), e logo após no Nordeste (Recife e Salvador), o gado bovino espalhou-se com o tempo para as diversas regiões do país .
A partir do séc. XIX  as raças indianas (zebu) foram introduzidas na região Sudeste, principalmente em M.G. , onde adaptaram-se bem e expandiram-se. Seu cruzamento com raças nacionais de qualidade inferior, originou um gado mestiço indubrasil.
No final do séc. XIX iniciou-se a importação de raças européias selecionadas, principalmente para o Sul do país, região que permitiu boa aclimatização e grande expansão.

Importância da Pecuária no Brasil

No decorrer de sua expansão geográfica, a pecuária desempenhou importante papel no processo de povoamento do território brasileiro, sobre tudo nas regiões Nordeste (sertão) e Centro – Oeste, mas também no sul do país (Campanha Gaúcha).

O Rebanho Bovino
O gado bovino representa a principal criação do país, e apresenta como características:
 - O rebanho brasileiro é na maior parte de baixa qualidade, e portanto de baixo valor econômico;
- A relação bovino/habitante no Brasil é muito baixa quando comparado à países Argentina, Austrália e Uruguai.
- A idade  média do gado para abate no Brasil é de 4 anos, muito elevada em relação a países como Argentina, E.U.A e Inglaterra (cerca de 2 anos)
-  O peso médio também é muito baixo ainda, 230 a 240 quilos, contra mais de 600 quilos na Argentina, E.U.A e Inglaterra.
Como conseqüência dos fatores idade e peso, ocorre que a taxa de desfrute (percentual do rebanho abatido anualmente) no Brasil é muito baixa, cerca de 15% a 20% contra 30% da média mundial e 40% dos E.U.A
A pecuária brasileira é caracterizada pelo baixo valor econômico e pelo mau aproveitamento do potencial do rebanho, resultantes principalmente de deficiências tecnológicas tais como:
-  Zootécnicas: falta de aprimoramento racial;
-  Alimentos: deficiência das pastagens (a maior parte é natural) e de rações complementares;
- Sanitário: elevada incidência de doenças infecto-contagiosas e precária inspeção sanitária.

Principais áreas de Criação

Região Sudeste Possui o 2º maior rebanho bovino do país distribuídos em M.G., S.P., R.J. e E.S.
Nesta região predomina a raça zebu (Nelore, Gir, Guzerá), aparecendo raças européias e mistas, destinadas tanto ao corte como a produção de leite. As principais áreas de gado de corte são:
-         SP: Alta Sorocabana (Presidente Prudente) e Alta Nordeste (Araçatuba);
-         MG: Triângulo Mineiro e Centro – Norte do estado (Monte Claros);
-         ES: Norte do estado (bacia do rio S. Mateus)

As principais áreas de gado leiteiro estão em:
-         SP: Vale do Paraíba, encosta da Mantiqueira (S. João da Boa Vista, S. José do Rio Pardo e Mococa) e região de Araras Araraquara;
-         MG: Zona da Mata, região de Belo Horizonte e Sul do estado
-         RJ: Vale do Paraíba e norte do estado
-         ES: Sul do estado (cachoeirinha de itapemirim)

OBS.: A região Sudeste possui a maior bacia leiteira e a maior concentração industrial de laticínios no país, abastecendo os maiores mercados consumidores, representados por S.P., R.J. e B.H.

Região Sul possui o 3º maior rebanho distribuído pelo R.S., P.R. e S.C.
Esta região destaca-se por possuir o rebanho que além de numeroso, é o de melhor qualidade no Brasil. O rebanho é constituído por raças européias (Hereford, Devon, Shorthorn) e conta com técnicas aprimoradas de criação e condições naturais favoráveis, como: relevo suave, pasto de melhor qualidade, clima subtropical com temperaturas mais baixas e chuvas regulares.
No Sul prevalece a pecuária de corte. A principal área de criação é a Campanha Gaúcha , onde se localizam a maior parte do rebanho e importantes frigoríficos, tais como Anglo (Pelotas), Swift (Rosário). A pecuária nesta região destina-se principalmente à obtenção de carne, couro e charque para atender ao mercado interno e externo. A pecuária leiteira é menos importante, aparecendo principalmente nas áreas:
- RS: porção norte – nordeste , abrangendo Vacuria, Lagoa Vermelha e Vale do Jacuí;
- SC: regiões de lagoas e Vale do Itajaí
-  PR: porção leste do estado, abrangendo as regiões de Curitiba, Castro e Ponta Grossa.

Além da pecuária bovina, a região Sul possui os maiores rebanhos nacionais de ovinos, concentrados principalmente na Campanha Gaúcha ( Uruguaiana, Alegrete, Santana do Livramento e Bagé) e de suínos, que aparecem no norte – nordeste de R.S. (Santana Rosa e Erexim), sudoeste do Paraná e no oeste catarinense ( concórdia e Chapecó), onde se localizam os principais frigoríficos como a Sadia.

Região Centro – Oeste
Possui o maior rebanho bovino do país, distribuídos por G.O., M.S., M.T. e D.F.
A pecuária do C.O. é predominantemente extensiva de corte e destinada, na maior parte, ao abastecimento de mercado paulista. Apesar de estar disseminada por toda a região, abrangendo tanto as áreas  de cerrado como o pantanal, as maiores densidades de gado aparecem no sudoeste de M.T. (Chapada dos Parecia) e centro – leste (vales dos rios Cristalino e das Mortes), sudeste de G.O. e maior parte de M.S. (pantanal e centro – sul)
A maio parte do C.O., oferece boas possibilidades de expansão pecuária porque  sua posição geográfica é favorável, é muito exterior, tem abundância de pastagens naturais, boa pluviosidade no verão, os preços das terras são mais acessíveis em relação aos do Sudeste e Sul e é próxima do maior centro consumidor do país. Na verdade a quantidade de cabeças vem crescendo, porém a qualidade deixa muito a desejar.
A pecuária leiteira é pouco significativa ainda; aparecendo principalmente na Porção Sudeste de Goiás (Vale do Paraíba), que abastece as regiões de Goiânia e D.F.

Região Nordeste
Possui o 4º maior rebanho bovino do país , concentrado principalmente em: B.A., M.A., C.E., P.E. e P.I.
A pecuária bovina do nordeste é predominantemente extensiva de corte. Apesar de estar difundida por toda a região, a principal área pecuarista é o Sertão.
A pecuária leiteira ocupa posição secundária e está mais concentrada no Agreste, onde se destacam duas bacias leiteiras, a bacia do Recife (Pesqueira, Cachoeirinha, Alogoinhas e Guranhum) e a de Batalha em Alagoas
A produtividade do rebanho nordestino é das mais baixas do país, tanto em carne como em leite.

Região Norte
Possui o menor rebanho bovino do país, concentrado principalmente no estado do Pará. Apesar de ser o menor, foi o que mais cresceu no último decênio.
Nesta região predomina a pecuária extensiva de corte, e as áreas tradicionais de criação correspondem aos campos naturais do:
- Pará: Campos de Marajó, médio e baixo Amazonas.
-  Amazonas: médio Amazonas e as regiões dos rios Negro e Solimões
-  Acre: Alto Peirus e alto Jureiá
-  Amapá: Litoral
-  Rondônia: Vale do rio madeira

Nas ultimas décadas a expansão pecuária na região Norte tem sido muito grande, mesmo a custa de desmatamento indiscriminado, invasão de terras indígenas e restrição das áreas de lavoura. Essas áreas de expansão estão principalmente no leste e sudeste do Pará (Paragominas, Conceição do Araguaia), Amazonas, Rondônia e Acre.
A pecuária leiteira é muito restrita e aparece nas proximidades das capitais Belém, Manaus e etc. Esta região conta com o maior rebanho de búfalos do país, concentrados principalmente na ilha de Marajó (P.A.).

Principais rebanhos brasileiros

A pecuária brasileira começa a ser reconhecida como de boa qualidade. Os investimentos que estão sendo progressivamente realizados para livrar o rebanho de doenças como a febre aftosa e o comprometimento de rebanhos na Europa (como o mal da vaca-louca) m levado a ampliação de alguns e a conquista de novos mercados de exportação (analistas indicam que o Brasil deve se tornar o maior fornecedor internacional nos próximos dez a quinze anos). Os principais rebanhos brasileiros o os de bovinos, suínos, ovinos e caprinos.


- bovinos na pecuária de corte destacam-se as regiões dos Pampas Gaúchos, oeste paulista e Triângulo Mineiro. Pecuaristas de outras áreas de criação preocupam-se em melhorar a qualidade de seu rebanho. Na pecuária leiteira podemos destacar Minas Gerais (várias áreas de criação, especialmente o sul do Estado), o Paulo (Vale do
Paraíba, São João da Boa Vista, Araras, Mococa) e Rio de Janeiro (Vale do Paraíba e norte do Estado);

- suínos apresenta significativos ganhos de qualidade e especialização (mais carne e menos gordura, melhor higienização nos locais de criação, cuidados veterinários, selecionamento dos animais) o que tem permitido a busca de um aumento nas exportações dessa carne;

- ovinos o Brasil o tem destaque mundial. A maior parte do rebanho é encontrada no Rio Grande do Sul;

- caprinos também sem grande destaque mundial é uma criação que está evoluindo qualitativamente. Boa parte do rebanho, rústico, pode ser encontrada na Região Nordeste.
Podemos também destacar o rebanho de eqüinos, especialmente em Minas Gerais e bubalinos (Ilha de Marajó, Pantanal e Vale do Ribeira). O Brasil parece apresentar condições favoráveis para a criação de búfalos e pode se tornar um grande criador mundial. O Brasil tem um dos maiores rebanhos de asininos e muares e é um dos maiores criadores de aves no mundo.

AGRONEGÓCIOS

É o conjunto de conhecimentos usados para planejar e gerenciar as atividades de uma propriedade rural, desde o cultivo até a administração dos negócios. O profissional de Agronegócios e Agropecuária define as estratégias que serão usadas durante toda a safra agrícola. Planeja a produção determinando os serviços necessários para a criação dos rebanhos ou para a produção agrícola, estabelece quantos funcionários serão contratados a cada safra, verifica os custos da produção e define o valor final do produto, buscando a melhor rentabilidade para o negócio. Também cuida da distribuição e da logística, além das negociações com o mercado internacional.
Mercado de Trabalho

O mercado continua em alta, tanto para o bacharel como para o tecnólogo, e há perspectiva de crescimento para os próximos anos. "Normas nacionais e internacionais cada vez mais rígidas para a produção de alimentos exigem que empresas de todos os portes contem com um profissional que trabalhe com a adequação dos processos produtivos". Tanto o bacharel quanto o tecnólogo têm como função trabalhar em todas as etapas da produção, com a diferença que o primeiro se volta com mais ênfase para a atuação em gestão. "O bacharel trabalha com gestão econômica, de produção, dos recursos naturais e dos resíduos da agropecuária, além de atuar com planejamento estratégico", crescem e se profissionalizam os setores de avicultura, caprinocultura e ovinocultura, além da fruticultura. Os estados do Sudeste e do Sul são outros mercados aquecidos.

O que você pode fazer

Coordenar, planejar e organizar propriedades rurais de pequeno, médio e grande portes, cuidando da gestão de pessoas, dos custos da produção e do contato com fornecedores e clientes.
Prestar assessorias a órgãos públicos e privados na área de gestão do agronegócio, definindo estratégias de produção e estudos de aproveitamento do solo.
Cuidar de plantações e do manejo de animais em fazendas.
Desenvolver defensivos agrícolas e outros produtos que visem a otimizar a produção.
Definir com o agrônomo os tipos e como será feita a plantação em cada safra, os custos e o preço final do produto.
Atuar em grandes indústrias vendendo equipamentos e insumos ao setor agrícola.

Agribusiness

Podemos definir agribusiness como um sistema integrado; uma cadeia de negócios,
pesquisa, estudos, ciência, tecnologia, etc., desde a origem vegetal/animal até produtos
finais com valor agregado, no setor de alimentos, fibras, energia, têxtil, bebidas, couro e
outros. “Na década de 50, os professores da Universidade de Harvard, constataram que “as atividades rurais e aquelas ligadas a elas não poderiam viver isoladas”. Utilizando fundamentos de teoria econômica sobre as cadeias integradas, construíram uma metodologia para estudo da cadeia agro alimentar e cunharam o termo agribusiness, que sintetizava sua nova visão”.
Em resumo, é a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas; as operações de produção nas unidades agrícolas; e o armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos com eles. Dessa forma, o agribusiness engloba:
- os fornecedores de bens e serviços à agricultura,
- os produtores agrícolas, os processadores, transformadores e distribuidores envolvidos na geração e no fluxo dos produtos agrícolas até o consumidor final.
Dentro destas atividades do agronegócio podemos identificar três setores dentro da cadeia agroalimentar:
1. “Antes da Porteira”: insumos, bens de produção e serviços para a
agropecuária;
2. “Dentro da Porteira”: Produção agropecuária;
3. “Depois da Porteira”: Processamento agroindustrial e distribuição.


Reforma agrária no Brasil

A revisão da estrutura agrária de um país tem como objetivo de realizar uma distribuição mais igualitária da terra e da renda agrícola. No Brasil, a questão da terra é hoje um grave problema social por causa da grande desigualdade na distribuição da propriedade. Envolvendo promessas do governo, acusações entre fazendeiros e trabalhadores sem-terra e muita violência, o problema tem suas origens na época colonial ( das sesmarias à Lei de Terras – Durante a colonização, Portugal aplica no Brasil a legislação e a política agrária praticadas na metrópole desde o século XIV).
 A reforma agrária baseia-se na doação de terras de domínio público - terras devolutas - a particulares no regime de sesmaria, ou seja, na condição de cultivá-las dentro de certo prazo. O objetivo é tanto o aumento da produção agrícola quanto a ocupação territorial. No Brasil, a concessão das sesmarias é atribuída aos donatários e governadores das capitanias  e depois também às câmaras municipais. Enquanto na metrópole as concessões eram pequenas, na colônia, em razão das grandes dimensões do território e do não-reconhecimento dos direitos dos índios sobre suas terras, as sesmarias viram imensos latifúndios.
 O governo português tenta controlar esse crescimento excessivo das propriedades, quase nunca acompanhado por igual crescimento da produção. Em 1695 limita-se o tamanho das sesmarias ao máximo de 4 léguas de comprimento por 1 légua de largura (cerca de 24 km², ou 2.400 ha). Na prática, isso não funciona, porque muitas terras são ocupadas em regime de posse (direito de propriedade decorrente da exploração efetiva e duradoura de terras não ocupadas) e raramente legalizadas. Além disso, na agricultura extensiva da colônia, a produção se realiza pela ocupação contínua de novas áreas, fazendo com que as propriedades rurais cresçam sempre mais em tamanho do que em produtividade. Em 1822, às vésperas da independência, o regente dom Pedro extingue o regime das sesmarias.
 No Império, as principais medidas de regulamentação de acesso e posse legal da terra são tomadas na Lei de Terras, de 18 de setembro de 1850. Ela estabelece que as terras devolutas só podem ser legalmente adquiridas por compra em leilões públicos e que as terras dos posseiros somente devem ser legalizadas na parte efetivamente ocupada e explorada para o sustento da família proprietária. O objetivo é ordenar a propriedade agrária e criar um mercado de terras, pois, com o fim do tráfico de escravos, elas se tornariam o capital que iria substituir o investimento feito em mão-de-obra.
 Terras na República – Essa lei não impede o crescimento da concentração agrária. A ocupação de novas terras continua a acontecer de forma irregular, e, às vezes, violenta pelos grandes proprietários para quem a terra agora, além de símbolo de prestígio e poder, é uma reserva de valor. Já os pequenos proprietários, em geral posseiros, encontram dificuldade em legalizar a posse e não têm meios de disputar o mercado de terras - nas áreas de expansão agrícola, porque a terra é valorizada, e nas áreas pioneiras, porque a terra é dominada pelos "coronéis" latifundiários ou seus prepostos.
 Com a República, essa situação não muda. Na República Velha, os estados passam a administrar as terras públicas, facilitando sua apropriação pelas oligarquias e pelos coronéis. Em 1920, 4,5% dos proprietários possuem a metade das propriedades rurais no país. Esse processo gera a redução das áreas da produção de subsistência, fazendo a nação importar alimentos, e a expansão descontrolada das áreas agroexportadoras, levando às crises de superprodução, como a do café entre os anos 20 e 30. Após a Revolução de 1930 é criado o Ministério da Agricultura, mas durante toda a Era Vargas os problemas agrários ficam em segundo plano, inclusive no Estado Novo, quando é instituída a legislação trabalhista para os trabalhadores urbanos.
 A reforma agrária – A partir das décadas de 40 e 50, o tema da reforma agrária ganha destaque. A crescente modernização da agricultura e a industrialização do país intensificam o êxodo rural, as migrações regionais e a concentração fundiária. Por outro lado, a organização dos trabalhadores rurais em sindicatos e federações faz crescer os movimentos reivindicatórios no campo, como as Ligas Camponesas. Para o Estado, a questão da terra vira um desafio político e para os partidos, uma bandeira ideológica.
 Nos anos 60, o governo de João Goulart anuncia o lançamento das "reformas de base", começando pela reforma agrária. Logo após a implantação do Regime Militar de 1964 é criado o Estatuto da Terra (1964) e, em 1970, o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), para tratar da questão agrária. Os resultados práticos são pequenos. Com a política de incentivos fiscais dos anos 70 para os grandes empreendimentos agropecuários e extrativistas, a concentração aumenta mais, sobretudo nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto os projetos do Incra, como as agrovilas da Amazônia, não se viabilizam.
 Na década de 80, os problemas da terra se agravam. A concentração fundiária continua grande: enquanto 4,5 milhões de pequenas propriedades de até 100 ha têm apenas 20% de toda a área e empregam 78% da força de trabalho rural, 50 mil grandes propriedades com mais de 1.000 ha ocupam 45% da área e absorvem 4% da mão-de-obra. Com o fim do "milagre econômico" e a recessão há um grande aumento do desemprego e do êxodo rural. Com isso cresce o número de conflitos violentos no campo: são 4,2 mil entre 1987 e 1994, deixando centenas de vítimas.
O governo tem usado a política dos assentamentos em terras públicas e áreas consideradas improdutivas e desapropriadas para fins de reforma agrária. Nos últimos 12 anos são assentadas pouco mais de 300 mil famílias, menos de 7% do que seria necessário segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que hoje lidera a mobilização social no campo. Para o MST há 4,5 milhões de famílias no Brasil para assentar. Os proprietários reagem contra as pressões e as invasões de terra do MST, também organizados em entidades, como a União Democrática Ruralista (UDR).
 Hoje se discute a eficiência da reforma agrária como solução econômica (aumento da produção) e social (aumento do emprego e maior equilíbrio entre a cidade e o campo). Para uns, a produção nas pequenas propriedades já não é mais competitiva, sobretudo na era da globalização econômica, e por isso não deveria ser estimulada. Para outros, ao contrário, as pequenas propriedades continuarão a ser responsáveis pelo maior número de empregos no
campo e pela maior produção de alimentos de consumo interno.

O M.S.T

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, também conhecido pela sigla MST, é um movimento social brasileiro de inspiração marxista e do cristianismo progressista (teologia da libertação), cujo objetivo é a realização da reforma agrária no Brasil. O MST teve origem na década de 1980. Defendem eles que a expansão da fronteira agrícola, os mega-projetos — dos quais as barragens são o exemplo típico — e a mecanização da agricultura contribuíram para eliminar as pequenas e médias unidades de produção agrícola e concentrar a propriedade da terra.
Paralelamente, o modelo de reforma agrária adotado pelo regime militar priorizava a "colonização" de terras devolutas em regiões remotas, tais como as áreas ao longo da rodovia Transamazônica, com objetivo de "exportar excedentes populacionais" e favorecer a integração do território, considerada estratégica. Esse modelo de colonização revelou-se, no entender do movimento, inadequado e eventualmente catastrófico para centenas de famílias, que acabaram abandonadas, isoladas em um ambiente inóspito, condenadas a cultivar terras que se revelaram impróprias ao uso agrícola.
Nessa época, intensificou-se o êxodo rural — abandono do campo por seus habitantes —, com a migração de mais de 30 milhões de camponeses para as cidades, atraídos pelo desenvolvimento urbano e industrial, durante o chamado "milagre brasileiro". Grande parte deles ficou desempregada ou subempregada, sobretudo no início anos 1980, quando a economia brasileira entrou em crise. Alguns tentaram resistir na cidade e outros se mobilizaram para voltar à terra. Desta tensão, movimentos locais e regionais se desenvolveram na luta pela terra.
Em 1984, apoiados pela Comissão Pastoral da Terra, representantes dos movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores rurais e outras organizações reuniram-se em Cascavel, Paraná, no 1º Encontro Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, para fundar o MST. Apesar de os movimentos organizados pela reforma agrária no Brasil serem relativamente recentes, remontando apenas às ligas camponesas — associações de agricultores que existiam durante as décadas de 1950 e 1960 — o MST entende-se como herdeiro ideológico de todos os movimentos de base social camponesa ocorridos desde que os portugueses entraram no Brasil, quando a terra foi dividida em sesmarias por favor real, de acordo com o direito feudal português, o que excluiu em princípio grande parte da população do acesso direto à terra. Contrariamente a esse modelo concentrador da propriedade fundiária, o MST declara buscar a redistribuição das terras improdutivas.
O MST se organiza em 24 estados brasileiros. Sua estrutura organizacional se baseia em uma verticalidade iniciada nos núcleos (compostos por 500 famílias) e seguindo pelas brigadas (grupo de até 500 famílias), direção regional, direção estadual e direção nacional. Paralelo a esta estrutura existe outra, a dos setores e coletivos, que buscam trabalhar cada uma das frentes necessárias para a reforma agrária verdadeira. São setores do MST: Saúde, Direitos Humanos, Gênero, Educação, Cultura, Comunicação, Formação, Projetos e Finanças, Produção, Cooperação e Meio Ambiente e Frente de Massa. São coletivos do MST: juventude e relações internacionais. Esses setores desenvolvem alternativas às políticas governamentais convencionais, buscando sempre a perspectiva camponesa.
A organização não tem registro legal por ser um movimento social e, portanto, não é obrigada a prestar contas a nenhum órgão de governo, como qualquer movimento social ou associação de moradores. Entretanto, há o questionamento de boa parte da opinião pública brasileira de que se o MST é um movimento social e não tem personalidade jurídica, não poderia receber recursos públicos, sejam eles diretos ou indiretos, como se tem provado nos últimos anos.
O movimento recebe apoio de organizações não governamentais e religiosas, do país e do exterior, interessadas em estimular a reforma agrária e a distribuição de renda em países em desenvolvimento. Sua principal fonte de financiamento é a própria base de camponeses já assentados, que contribuem para a continuidade do movimento.
O MST se articula junto a uma organização internacional de camponeses chamada Via Campesina, da qual também faz parte o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e agricultores da Europa, África, Ásia e América. A Via Campesina tem como objetivo organizar os camponeses em todo o mundo. Ele também está vinculado com outras campanhas nacionais e internacionais, como a Via Campesina Brasil, que reúne alguns dos movimentos sociais brasileiros do campo, e a contra a ALCA.

Denuncias contra o MST

Denúncia de grilagem por multinacionais - Em 2009 integrantes do MST ocuparam a fazenda de uma transnacional em Santo Henrique, em Borebi, próximo a Iaras, interior de São Paulo, grilada pela Cutrale. Derrubaram mais de 7.000 pés de laranjas. A mídia noticiou a destruição de 28 tratores, a sabotagem do sistema de irrigação e a depredação da sede da fazenda. A justiça brasileira sem tomar conhecimento de que aquelas terras pertenciam à União, ordenou a pronta desocupação do terreno, e entidades como o INCRA apressaram-se em condenar o ocorrido; a ação foi amplamente criticada pela mídia. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo disse que "a sociedade paulista deve ficar ainda mais atenta aos desdobramentos dessas ações, porque elas comprometem a própria existência da democracia". O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também condenou os atos de vandalismo ocorridos na fazenda da Cutrale.
A Direção Nacional do MST, em nota publicada, em 9 de outubro, admitiu a ocupação de fazendas que, segundo afirma, têm origem na grilagem de terras públicas, tais como as da Cutrale - empresa que controla 30% da produção mundial de suco de laranja. Desde 2006, a Justiça analisa os títulos de propriedade da Cutrale, visando verificar se as terras são realmente públicas, como sustenta o MST.
A nota afirma ainda que "não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale", e que tais "desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento" têm acontecido por infiltração elementos estranhos ao MST, adversários da reforma agrária. A entidade não ofereceu, no entanto, qualquer prova destas alegações; a Polícia Civil abriu inquérito. Segundo o delegado, serão apurados os crimes de formação de bando ou quadrilha, esbulho possessório, dano e furto qualificado.

Fonte:
Ministério da Agricultura:
INCRA:
MST:
Reforma agrária:
escola.com.br/eescola/jornalismo/artigos/edicoeszap/zap9/09043.htm
transgênicos:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transg%C3%AAnese
agronegócios:
http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/administracao-negocios/agronegocios-agropecuaria-683964.shtml
http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.pdf
Ariovaldo U. de Oliveira, A Geografia das Lutas no Campo, p. 33)



Situação de aprendizagem 3
Redes e hierarquias urbanas


As primeiras cidades surgiram na Mesopotâmia (atual Iraque), depois vieram às cidades do Vale Nilo, do Indo, da região mediterrânea e Europa e, finalmente, as cidades da China e do Novo Mundo.
Embora as primeiras cidades tenham aparecido há mais de 3.500 anos a.C., o processo de urbanização moderno teve início no século XVIII, em conseqüência da Revolução Industrial, desencadeada primeiro na Europa e, a seguir, nas demais áreas de desenvolvimento do mundo atual. No caso do Terceiro Mundo, a urbanização é um fato bem recente. Hoje, quase metade da população mundial vive em cidades, e a tendência é aumentar cada vez mais.
A cidade subordinou o campo e estabeleceu uma divisão de trabalho segundo a qual cabe a ele fornecer alimentos e matérias-primas a ela, recebendo em troca produtos industrializados, tecnologia etc. Mas o fato de o campo ser subordinado à cidade não quer dizer que ele perdeu sua importância, pois não podemos deixar de levar em conta que:
•          Por não ser auto-suficiente, a sobrevivência da cidade depende do campo;
•          Quanto maior a urbanização maior a dependência da cidade em relação ao campo no tocante à necessidade de alimentos e matérias-primas agrícolas.
Conceito
A urbanização resulta fundamentalmente da transferência de pessoas do meio rural (campo) para o meio urbano (cidade). Assim, a idéia de urbanização está intimamente associada à concentração de muitas pessoas em um espaço restrito (a cidade) e na substituição das atividades primárias (agropecuária) por atividades secundárias (indústrias) e terciárias (serviços). Entretanto, por se tratar de um processo, costuma-se conceituar urbanização como sendo "o aumento da população urbana em relação à população rural", e nesse sentido só ocorre urbanização quando o percentual de aumento da população urbana é superior a da população rural.
A Inglaterra foi o primeiro país do mundo a se urbanizar (em 1850 já possuía mais de 50% da população urbana), no entanto a urbanização a celerada da maior parte dos países desenvolvidos industrializados só ocorreu a partir da segunda metade do século XIX. Além disso, esses países demoram mais tempo para se tornar urbanizados que a maioria dos atuais países subdesenvolvidos industrializados.
Classificações das cidades
As cidades podem ser classificadas quanto à origem em duas categorias:
•  cidades espontâneas ou naturais: constituem a maioria das cidades do planeta e foram formadas, através dos tempos, em locais que apresentavam algum tipo de vantagem para seu primitivo grupo populacional.
É o caso de cidades que se localizam às margens de mares e de rios, que proporcionam alimentação e facilidade de transporte, por exemplo.  Alguns exemplos: Rio de Janeiro e São Paulo (Brasil).
•  cidades planejadas: aquelas que são intencionalmente criadas em locais previamente escolhidos, implantadas em períodos temporais relativamente breves, com finalidade de caráter geopolítico. O exemplo, é Brasília, Belo Horizonte e Goiânia (Brasil).
Função principal
Este é um outro critério de classificação das cidades que leva em conta fatores de ordem política, econômica, histórica ou cultural. As cidades não apresentam uma função única, porém uma principal, podem-se distinguir as cidades a partir das seguintes categorias:
•  Político-administrativas: Washington (EUA), Berlim (Alemanha), Brasília (Brasil);
•  Industriais: Detroit (EUA), Manchester (Reino Unido), Volta Redonda (Brasil);
•  Portuárias: Roterdã (Holanda), Hamburgo (Alemanha), Santos (Brasil);
•  Religiosas: Jerusalém (Israel); Varanasi (Índia), Aparecida (Brasil);
•  Históricas: Atenas (Grécia), Florença (Itália), Ouro Preto (Brasil)
•  Tecnológicas: Boston (EUA), Bangalore (Índia), Campinas (Brasil)
•  Turísticas: Miami (EUA), Katmandu (Nepal), Salvador (Brasil)
São  várias as cidades multifuncionais onde vários das funções acima mencionadas podem ser observadas simultaneamente e é impossível se dizer que uma predomina sobre a outra.
Tome-se como exemplo o caso de Jerusalém, capital de Israel e, portanto, sua sede político-administrativa, uma cidade em que os aspectos religiosos, históricos e turísticos merecem destaque.
Do mesmo modo, o Rio de Janeiro, é  a sede político-administrativa do Estado do Rio de Janeiro, é um pólo turístico internacional, concentra indústrias e conserva sítios históricos de importância ímpar.
Hierarquia Urbana
Desde o final do século XIX, muitos autores passaram a utilizar o conceito de rede urbana para se referir à crescente articulação existente entre as cidades, como resultado da expansão do processo de industrialização ou urbanização, no mesmo período, na tentativa de apreender relações travadas entre as cidades no interior de uma rede, a noção de hierarquia urbana também passou a ser utilizada. O conceito foi tomado do jargão militar, em que há, de fato, uma rígida hierarquia, ou seja, o subordinado tem de se reportar ao seu superior imediato. Assim, por exemplo, no exército, o soldado tem de se reportar ao cabo, que por sua vez tem de se reportar ao sargento, que tem de se reportar ao tenente, capitão etc. sempre num crescendo de poder e de influência, até chegar ao topo máximo da hierarquia, que seria o cargo de general. Desse modo, fazendo uma analogia, a vila seria o soldado e a metrópole completa, o general. Logo a metrópole seria o nível máximo de poder e influência econômica e a vila, o nível mais baixo, e sofreria influência de todas as outras. Desde o final do século XIX até meados da década de 70, foi essa a concepção de hierarquia urbana utilizada. Veja o esquema.
Ocorre que essa concepção tradicional de hierarquia urbana não dá mais conta das relações concretas travadas entre as cidades do interior da rede urbana. Com os crescentes avanços tecnológicos, com a brutal modernização dos sistemas de transportes e de comunicações, com o barateamento e a maior facilidade de obtenção de energia, com a disseminação dos automóveis, enfim, com a "contração" do tempo e o "encurtamento" das distâncias, as relações entre as cidades já não seguem mais o "esquema militar", pelo qual era necessário "galgar" postos dentro da hierarquia das cidades como foi visto acima. Atualmente, já é possível falar da existência de uma nova hierarquia urbana, dentro da qual a relação da vila ou da cidade local pode ser travada com o centro regional, com a metrópole regional ou, em certos níveis, mesmo diretamente com a metrópole nacional.
Assim, é possível uma família morar numa vila (ou bairro) da cidade de Sorocaba (centro regional), que fica aproximadamente a 100 quilômetros de São Paulo, e deslocar-se periodicamente à metrópole paulistana para as compras, ou para o lazer, ou mesmo para trabalhar e, dessa forma, deslocar-se cotidianamente. É possível uma pessoa morar em Araçoiaba da Serra (cidade local) e ter mais vínculos com São Paulo (metrópole nacional) do que com Sorocaba (centro regional). É também plenamente possível uma pessoa residir numa chácara, na zona rural da região de São Roque (cidade local) situada a uns 60 quilômetros de São Paulo e estar totalmente integrada à metrópole, sem Ter necessidade de ir ao centro de São Roque. O que há em comum entre todas essas pessoas é que elas podem dispor de modernas rodovias (Castelo Branco e raposo Tavares) para se deslocar.
Atualmente, uma pessoa pode residir numa chácara ou num sítio, na zona rural, ou numa pequena cidade, lugares distantes de um grande centro, e estar mais integradas do que outra pessoa que resida no interior desse mesmo centro. Se a pessoa vive, por exemplo, numa chácara a quilômetros da grande cidade, mas tem à sua disposição telefone, computador, modem, fax, antena parabólica e um bom automóvel, ela está mais integrada do que a pessoa que mora dentro da cidade, por exemplo, num cortiço ou numa favela, e não tem acesso a todos esses modernos bens e serviços. Percebe-se, portanto, que o que define a integração ou não das pessoas à moderna sociedade capitalista é a maior ou menor disponibilidade de renda e, consequentemente, a possibilidade de acesso às novas tecnologias, aos novos conhecimentos, aos novos bens e serviços, e não mais as distâncias que as separam dos lugares.
Essa relativização das distâncias que tem repercussões na rede urbana, também pode ser verificada nas relações capitalistas de produção. Veja o caso da agroindústria do suco de laranja ou de açúcar e álcool do interior do estado de São Paulo. Essas indústrias estão localizadas na zona rural, e no entanto, a mão-de-obra que utilizam, os bóia-frias, vive nas cidades. Além disso, elas dispõem de grandes volumes de capital e produzem para o país inteiro e para o exterior. Tome-se o exemplo da Cutrale, localizada no município de Bebedouro (estado de São Paulo). Praticamente toda a sua produção de suco concentrado está voltada para a exportação e é escoada em caminhões até o porto de Santos, de onde é transportada em navios principalmente para os Estados Unidos. Esta indústria que está na zona rural, relaciona-se com a cidade de Bebedouro contratando trabalhadores, recolhendo impostos etc. e, ao mesmo tempo, com o mundo através de suas exportações.
Nos países desenvolvidos, e mesmo nas regiões industrializados de países subdesenvolvidos, é cada vez mais comum a descentralização das indústrias, instaladas na zona rural, nos eixos de modernas rodovias e ferrovias. Paralelamente, a produção agropecuária foi quase totalmente incorporada pelo capital industrial, pela agroindústria. Tudo isso nos permite concluir que a oposição campo x cidade ou agricultura x indústria já não faz muito sentido na análise geoeconômica dos dias de hoje, notadamente nos países desenvolvidos. A expansão do capital vai envolvendo todas as atividades no processo de modernização, o que acaba levando ao rompimento dessas oposições. Tudo acaba sendo integrado econômica e geograficamente na lógica do lucro, na lógica da reprodução do capital.
Conurbação, metrópoles e megalópoles
A expansão horizontal de um sítio urbano (a área efetivamente ocupada pela cidade) pode fazer com que ele se junte e misture a outro sítio urbano, de modo que seus limites geográficos mal podem ser distinguidos. A esse fenômeno dá-se o nome de conurbação e é ele quem gera as metrópoles, ou seja, a união de várias cidades que funcionam, na prática, como uma única cidade. Diversas capitais brasileiras já passaram pelo fenômeno e constituem regiões metropolitanas, embora a metrópole brasileira por excelência seja a Grande São Paulo, cujo núcleo é formado por São Paulo/Capital e o ABCD (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema), embora conte, em seu total, com 39 cidades.
Nos países desenvolvidos, as regiões metropolitanas podem estar de tal forma interligadas e existir entre elas tamanha circulação de pessoas, serviços, mercadorias, capital e informações que se formam as megalópoles. Nos Estados Unidos, por exemplo, considera-se uma megalópole Bos-Wash, a região que se estende de Boston a Washington, incluindo grandes metrópoles como Nova York, Newark, Filadelfia e Baltimore.
Redes urbanas
Considerando-se que as cidades não estão isoladas, mas obrigatoriamente estabelecem relações com outras, pode-se dar uma nova classificação e uma hierarquia entre diversos centros urbanos. Para isso, leva-se em conta, sobretudo, a importância e a influência econômica que uma cidade exerce em sua relação com as outras.
Assim, pode-se falar em metrópoles nacionais, como São Paulo e o Rio de Janeiro; metrópoles regionais, como Recife e Porto Alegre; em centros regionais, como Ribeirão Preto, no norte de São Paulo, ou Vitória da Conquista, no sul da Bahia; ou em cidades locais, que constituem a grande maioria das cidades de qualquer país.
Uma última distinção pode ser estabelecida no que se refere às metrópoles. Elas podem se caracterizar como:
•  Cidades globais: aquelas em que se concentra a movimentação financeira, onde se situam as sedes de grandes empresas ou escritórios filiais de multinacionais, importantes universidades e centros de pesquisa. Elas dispõem da infra-estrutura necessária para a realização de negócios nacionais e internacionais, como aeroportos e/ou portos, bolsas de valores e avançados sistemas de telecomunicações, além de uma ampla rede de hotéis, bancos, centros de convenções, de eventos e de comércio.
•  Megacidades: são cidades com mais de 10 milhões de habitantes.
Sendo o conceito de megacidade meramente populacional, ele pode se mesclar ao de cidade global. Nova York (EUA), Tóquio (Japão) e São Paulo (Brasil) são simultaneamente cidades globais e megacidades. A Europa apresenta diversas cidades globais que, entretanto, não são megacidades: Londres (Reino Unido), Paris (França), Milão (Itália), Frankfurt (Alemanha). A Ásia concentra diversas megacidades que, contudo, não são cidades globais: Pequim (China), Nova Délhi, Calcutá e Mumbai (Índia), Karachi (Paquistão). Na África, Lagos (Nigéria) é uma megacidade.
História e problemas da urbanização
As primeiras cidades como Ur e Babilônia, surgiram na Mesopotâmia, nos vales dos rios Tigres e Eufrates, no atual Iraque. Por volta de 2500 a.C.  Depois outras cidades surgiram ainda associadas aos vales fluviais como Mênfis e Tebas, no vale do Nilo (Egito) além de outras
Diversos pesquisadores afirmam que essas cidades fazem parte de "civilizações hidráulicas", pois surgiram associadas e dependentes aos rios que as abasteciam, principalmente em relação à necessidade de terras férteis e de irrigação para a produção de alimentos excedentes. Também surgiram cidades por volta de 500 a.C, como Tenochtitlán, capital do Império Asteca (atual Cidade do México) que chegou a ter 100 mil habitates.
Com o passar do tempo as cidades chegaram a atingir dimensões impressionantes. Roma, a capital do Império Romano, chegou a congregar no século 1º d.C., mais de um milhão de habitantes.
Independentemente dos exemplos acima, a urbanização ganhou escala mundial somente no século 20.
Industrialização e crescimento urbano
O início desse processo de urbanização originou-se com a primeira Revolução Industrial no final do século 18, a partir da Inglaterra. A evolução das técnicas agrícolas, trazidas por ela, permitiu que o trabalho humano fosse sendo substituído pela força das máquinas. Isso possibilitou que o êxodo rural se tornasse a maior causa da urbanização nos últimos dois séculos.
Ao mesmo tempo em que expulsava a mão-de-obra do campo, a industrialização exercia uma força de atração das populações para as cidades, pois criava novos postos de trabalho urbano. Esse processo crescia a cada ano, porque com o aumento da população da cidade, o comércio foi estimulado, gerando mais postos de trabalho. Além disso, para atender a esse crescente contingente de pessoas que migraram para as cidades, houve também o crescimento do setor terciário, por causa da criação de novos serviços, o que originava mais trabalho.
Urbanização hoje
O processo de urbanização se espalhou por toda a superfície do planeta. Até meados deste século o fenômeno da urbanização era lento e circunscrito aos países que primeiro se industrializaram, os chamados países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, a urbanização se intensificou a partir de 1950, graças ao crescimento da industrialização.
No início do século 19, menos de 5% da humanidade vivia em cidades. No início do século 21, mais de 50% da população mundial já vive em cidades. Atualmente, três quartos dos habitantes dos países desenvolvidos vivem em cidades. Já entre os países em desenvolvimento, há grandes diferenças. Por exemplo, enquanto na América Latina e no Caribe a taxa de urbanização é tão elevada quanto à de países desenvolvidos, na Ásia e na África o índice não passa de 38%.  Assim, observamos que, de fato, a urbanização no mundo não é homogênea.
 Problemas urbanos
O inchaço das cidades gera graves conseqüências econômicas e sociais nos países, sobretudo aqueles em desenvolvimento, devido à rapidez do processo de urbanização e da carência de infra-estruturas urbanas (sistema de transportes, de energia, de água, de esgoto, de saúde e de moradia) para atender a todos os habitantes. Segundo a ONU, 30% da população mundial que reside em cidades vivem na absoluta pobreza. Entre 20 milhões e 40 milhões de famílias não têm onde morar e por volta de 920 milhões residem em favelas ou áreas irregulares.
Outro problema é a falta de postos de trabalho, o que leva 37% dos habitantes das cidades de países em desenvolvimento a trabalhar no setor informal. A esses problemas se somam o trânsito caótico, a alta produção de lixo, a violência, a poluição atmosférica, do solo e das águas, etc.
Problemas ambientais urbanos

Os principais problemas ambientais em áreas urbanas são:
Poluição atmosférica: excesso de resíduos (sólidos, líquidos ou gasosos) capazes de colocar em risco a biosfera.
Os principais responsáveis pela poluição do ar são: transportes, instalações industriais, centrais termoelétricas, queimadas, incineração de lixos.
Os principais poluentes são: monóxido de carbono, dióxido de enxofre, monóxido de nitrogênio, chumbo, dióxido de carbono e outros, que provocam desde sérios problemas respiratórios até as chuvas ácidas.
Inversão térmica: concentração de ar frio junto ao solo impedindo a dispersão de poluentes eventualmente aí lançados; ocorre no inverno em centros urbanos.
Ilhas de calor: aumento da temperatura nos centros urbanos devido à concentração excessiva de cimento, asfalto, recobrindo o solo e refletindo o calor solar, e à falta de circulação atmosférica.
Chuvas ácidas: precipitação em que o pH se apresenta abaixo de 5,0; trata-se de associação da água da precipitação com elementos (principalmente enxofre) lançados na atmosfera por fábricas, refinarias, automóveis.
Destruição da camada de ozônio: gás instável (O3) que se encontra distribuído principalmente na estratosfera e que impede a penetração de raios ultravioletas nocivos à vida. Seu desaparecimento ou diminuição pode vir a provocar câncer de pele. Detectou-se a presença de um "buraco" sobre a Antártida que estaria aumentando. São duas hipóteses para sua formação: natural ou provocada pela emissão de CFC (clorofluorcarbonetos).
Efeito estufa: dispersão de gás carbônico na atmosfera, devido à sua emissão por parte dos automóveis ou queimadas, provoca uma retenção das radiações infravermelhas na camada atmosférica, podendo acarretar um aumento da temperatura do planeta e trazendo como consequências o derretimento de gelo nos pólos e o aumento do nível oceânico e de vapor d'água na atmosfera.
Do total de moradias, 81,1% estão nas cidades. Isso é conseqüência do processo de urbanização acelerada, que começa a partir dos anos 50. Essa urbanização não foi acompanhada por investimentos que garantissem boas condições de vida para os moradores das cidades. A população de favelas, cortiços e bairros periféricos das grandes cidades tem acesso precário à água potável, ao saneamento básico e à coleta de lixo.
 Abastecimento de água – Segundo, ainda, o registro da PNAD, 77,6% dos domicílios no país são abastecidos de água pela rede geral de distribuição. O restante, por água de poço ou nascente, carro-pipa ou coleta de chuva. Muitas vezes a água consumida nas casas não é tratada nem canalizada, o que favorece a contaminação por germes e parasitas.
 Para evitar os riscos que o tratamento inadequado da água pode provocar tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente, podem ser adotadas algumas medidas de controle e prevenção. Os açudes  e reservatórios devem ser circundados por uma área de proteção, para que não haja contaminação decorrente de construções habitacionais, da criação de animais ou de outras culturas. É necessário também impedir o desmatamento e incentivar o reflorestamento das zonas de proteção. O transporte da água precisa ser feito por canalização fechada desde a nascente até os reservatórios e pontos de consumo. Nas casas, os depósitos têm de ter tampas que impeçam a entrada de mosquitos, poeiras, líquidos ou matéria orgânica. Se o abastecimento for proveniente de poço, este não pode estar perto de fontes de poluição, como fossas, áreas de criação animal e depósitos de lixo.
 Há vários métodos de tratamento da água. Entre os mais usados estão a filtragem, feita na nascente ou no domicílio; e a depuração por agentes físicos, como calor ou eletricidade, ou por agentes químicos como o cloro, em uso no mundo inteiro.
 Esgotos – Pela PNAD, em 40,3% dos domicílios do país o escoamento sanitário é feito por rede coletora; em 23,3%, por fossa séptica; em 26,0%, por fossas secas ou diretamente em valas, rios, lagos ou mar; e em 10,4% não há nenhuma forma de escoamento.
 As duas formas de escoamento dos dejetos sanitários domiciliares usadas são a rede coletora ou a fossa. Na rede coletora ocorre o transporte canalizado, com ou sem tratamento, dos detritos rumo a um escoadouro de determinada região. Em geral, o destino final das redes é um rio ou, no caso de cidades litorâneas, o mar. Quando não tratado, esse esgoto é uma das principais causas de poluição das águas. Em áreas desprovidas de sistema público de esgoto, as fossas são uma opção. Elas classificam-se em dois tipos: séptica ou seca. A séptica é constituída de um tanque séptico e um sumidouro. O tanque séptico recebe os dejetos junto com a água. A parte sólida, retida por certo tempo para a sedimentação, sofre um processo de digestão por microorganismo anaeróbios, enquanto o líquido passa para o sumidouro, que, com paredes permeáveis, permite sua infiltração no solo. A fossa seca é um buraco com 1 m de diâmetro por 2,5 m de profundidade que recebe os detritos diretamente, sem água. Sobre o buraco se constrói um piso, de concreto, madeira ou outros materiais disponíveis na região. É uma solução de baixo custo, freqüente em construções sem água encanada. Quando está cheia, a fossa seca pode ser transferida de local ou esvaziada.Quando construídas sem as precauções adequadas, permitem contaminação do lençol freático.
 Coleta de lixo – Em 73,2% dos domicílios há coleta de lixo, segundo a PNAD. Na maioria das vezes é recolhido diretamente nas casas por empresas de limpeza públicas ou privadas. Pode também ser depositado em caçambas, tanques ou depósitos para coleta posterior. Parte do lixo doméstico, no entanto, ainda é despejado, em terrenos baldios. Sem tratamento, o lixo favorece a transmissão de doenças como febre tifóide, salmonelose, disenteria, malária, febre amarela, raiva, peste bubônica, leptospirose, sarna e certas verminoses, na medida em que permite a proliferação de insetos e roedores. A queima de resíduos sólidos causa danos para o meio ambiente, contaminando o solo, a água e o ar.
Problemas sociais urbanos
Um dos problemas urbanos é a moradia.  Enquanto em algumas áreas das grandes cidades brasileiras surgem ou  crescem  novos bairros ricos com, com residências moderníssimas, em outras, ou as vezes, até nas vizinhanças, multiplicam-se as favelas, cortiços e demais habitações precárias.
            Mas o tipo de habitação popular que vem crescendo nos últimos anos, nos grandes centros urbanos do país, é a casa própria da periferia.  Trata-se de uma casinha que o trabalhador constrói, ele mesmo, com a ajuda de familiares e amigos, sob a forma de mutirão, geralmente nos fins de semana e feriados, num lote de terra que adquire na periferia da cidade.  A construção leva vários anos e o material vai sendo adquirido aos poucos.
            Ocorre, porém, que, ao residir na periferia da grande cidade, o trabalhador e sua família terão de gastar mais em transporte para o serviço, além de perder várias horas por dia dentro de ônibus ou trens.  E o transporte coletivo (ônibus, trens, metrôs) é um dos grandes problemas das metrópoles brasileiras, com carência e precariedade das linhas de ônibus e trens, com atraso na expansão das linhas de metrôs nas cidades onde esse transporte existe, sem contar o acédio sexual e roubos que ocorrem nos vagões ou nos ônibus lotados, nos quais vão pessoas penduradas nas portas, janelas ou até mesmo em cima dos mesmos, representando um grande perigo de acidentes.
            Outro problema importante nas grandes cidades brasileiras é a infra- estrutura urbana: água encanada, pavimentação de ruas, iluminação e eletricidade, transportes, rede de esgotos etc.  Apesar de a cada ano aumentar a área abrangida por esses serviços, o rápido crescimento das cidades torna-os  sempre insuficientes.  E a ampliação dessa infra-estrutura não tem conseguido acompanhar o ritmo de crescimento das áreas urbanas dessas metrópoles.  Assim, na Grande São Paulo, por exemplo, apenas 50 % dos domicílios  são servidos por rede de esgotos e 65 % pela de água encanada.
            Essa insuficiência dos recursos aplicados na expansão da infra-estrutura urbana decorre não apenas da rápida expansão das cidades como também da existência de terrenos baldios ou espaços ociosos em seu interior.  É comum empresas imobiliárias, ao realizarem um loteamento na periferia, onde ainda não existem serviços de infra-estrutura, deixarem, entre as áreas que estão vendendo e o bairro mais próximo, um espaço de terras sem lotear.  Com o crescimento da área loteada, ocorrerão reivindicações para que o local provido  de infra-estrutura.  E, quando isso ocorrer, tais serviços terão que passar pelo espaço ocioso. Aí é que esse espaço poderá ser vendido ou loteado, mas agora por um preço bastante superior.
            Esse procedimento acaba prejudicando a maioria da população, pois  leva a população trabalhadora da periferia para locais cada vez mais distantes do centro da cidade.  Esses espaços vazios ou ociosos abrangem atualmente cerca de 40 % da área urbana da cidade de São Paulo.
            Outro problema comum nas grandes cidades é a violência urbana.  Os acidentes de transito, com milhares de feridos e mortos a cada ano.  O abuso do motorista e o desrespeito ao pedestre são de fato algo comum.  A violência policial, especialmente sobre a população mais pobre,  é também muito frequente.  E o número de assaltos, estupros e assassinatos cresce cada vez mais.  Surgiu nos últimos anos, nas grandes metrópoles até uma figura nova de assaltante: o trombadinha, delinquente juvenil, fruto do crescimento do desemprego e do declínio dos salários reais, isto é, da inflação sempre superior aos aumentos salariais; como decorrência desses fatos, agravados ainda pela falta de assistência social às famílias pobres, às mães solteiras, às vitimas de estupro ou da violência do marido, do pai, etc., multiplicam-se pelas ruas os menores abandonados, a partir dos quais surgirão os trombadinhas ou delinqüentes juvenis.
População urbana
Atualmente, a participação da população urbana no total da população brasileira atinge níveis próximos aos dos países de antiga urbanização da Europa e da América do Norte . De acordo com o Censo de 2000, a população brasileira é agora majoritariamente urbana (81,2%), sendo que de cada dez habitantes do Brasil, oito moram em cidades.
De acordo com algumas projeções, até 2050, a porcentagem da população brasileira que vive em centros urbanos deve pular para 93,6%. Em termos absolutos, serão 237,751 milhões de pessoas morando nas cidades do país na metade deste século. Por outro lado, a população rural terá caído de 29,462 milhões para 16,335 milhões entre 2005 e 2050.

 Fontes:

Vera Lúcia da Costa Antunes – Folha de são Paulo
Almanaque Abril CD-Ron

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